"Luanda Leaks"

Contas portuguesas de Isabel dos Santos foram arrestadas

Contas portuguesas de Isabel dos Santos foram arrestadas

As contas bancárias portuguesas de Isabel dos Santos foram congeladas pelas autoridades nacionais. A justiça portuguesa estará a atuar no âmbito da cooperação internacional com as autoridades angolanas no âmbito do "Luanda Leaks". A Procuradoria já confirmou o arresto das contas.

Ao JN, a Procuradoria-Geral da República já confirmou que "o Ministério Público requereu o arresto de constas bancárias, no âmbito de pedido de cooperação judiciária internacional das autoridades angolanas".

De acordo com o Jornal Expresso, que avançou com a notícia, "o bloqueio das contas acontece numa altura em que está em curso a venda de algumas participações de Isabel dos Santos em empresas portuguesas, estando numa fase mais avançada a venda do EuroBic".

A mesma publicação adianta ainda que " esta segunda-feira, o banco acordou com o espanhol Abanca a alienação de 95% do capital, onde está incluída a posição de 42,5% atribuídas a empresas da investidora angolana. A operação ainda não se concretizou, carecendo ainda de autorização do Banco Central Europeu".

Recorde-se que a justiça angolana abriu em março de 2018 uma investigação por suspeitas de desvios de fundos da petrolífera estatal angolana Sonagol, empresa que foi presidida por Isabel dos Santos.

O caso foi tornado público há algumas semanas, depois de um consórcio de jornalistas de investigação terem publicado diversas notícias sobre a ascensão de Isabel dos Santos e a fortuna que acumulou.

Os 715 mil ficheiros (batizados como "Luanda Leaks"), que permitem traçar o percurso de Isabel dos Santos desde 1980 a 2019, foram fornecidos ao Consórcio Internacional de Jornalistas - em parceria com 37 meios de comunicação internacionais - pela PPLAAF, uma plataforma de proteção de denunciantes em África, com base em Paris.

"O conjunto inclui emails, memorandos internos de empresas de Isabel dos Santos, contratos, relatórios de consultoria, declarações fiscais, auditorias privadas e vídeos de reuniões de negócios", explica o jornal "Expresso", parte do consórcio internacional que trabalhou neste caso. Os documentos remontam a 1980, mas têm como foco principal a última década.

A investigação contraria a tese amplamente divulgada de Isabel dos Santos de que é uma empreendedora, revelando que a filha do ex-presidente de Angola terá gozado de proteção do pai e que, juntamente com o marido, Sindika Dokolo, explorou "vazios legais ou zonas cinzentas da legislação para ampliar a sua fortuna e proteger os seus ativos das autoridades fiscais e de outras entidades", explica o jornal "Expresso", que faz parte do consórcio internacional que trabalhou neste caso.

Durante a investigação foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas.

Um dos casos a que a investigação dá amplo destaque é à transferência de 115 milhões de dólares da Sonangol, empresa de que Isabel dos Santos foi presidente, para o Dubai. A transação terá sido justificada com pagamento de serviços de consultoria e teve como destino uma conta bancária de uma companhia offshore, a Matter Business Solutions, com várias pessoas próximas de Isabel dos Santos nos cargos dirigentes.

Os documentos revelam ainda que, em menos de 24 horas, a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa, banco de que Isabel dos Santos é a principal acionista, foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária.

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