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Continuidade de Cabrita é "inquestionável", diz vice da bancada do PS

Continuidade de Cabrita é "inquestionável", diz vice da bancada do PS

A continuidade do ministro Eduardo Cabrita "é inquestionável", defendeu ao JN esta sexta-feira o vice-presidente da bancada do PS, João Paulo Correia. A opinião é extensível a outros deputados, embora haja críticas à atuação do Governo.

Na bancada socialista, o sentimento geral é de que a continuidade do ministro Eduardo Cabrita não está em causa, mas também há desconforto devido ao caso do ucraniano morto em instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) no aeroporto de Lisboa.

Os deputados acreditam que o ministro fez o que lhe competia e, por isso, o vice-presidente do grupo parlamentar do PS, João Paulo Correia, defendeu ao JN que "deve continuar" e "a sua manutenção é inquestionável".

Além disso, o deputado nota que, na audição de terça-feira, no âmbito da Comissão de Assuntos Constitucionais, Eduardo Cabrita "terá oportunidade para demonstrar que o Governo fez o que estava ao seu alcance" na resolução deste caso.

João Paulo Correia concorda que "o caso não fica totalmente encerrado" com a demissão da diretora do SEF porque "falta saber mais sobre a matéria" e, por isso, "é importante a ida do ministro ao Parlamento".

Dentro da bancada, o que há "é desconforto em relação à morte do ucraniano, como existe na maioria dos cidadãos", perante um caso "impensável que não pode ter lugar novamente".

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Isabel Moreira não comenta possível saída do ministro

Isabel Moreira considerou "gravíssimo" que não tenha havido "um único telefonema para a viúva". Ao JN, a deputada recordou que a mulher de Ihor Homeniuk, o ucraniano morto por inspetores do SEF, "passou pelo horror de ter custeado a trasladação do corpo de um homem que foi torturado pelo Estado português".

Isabel Moreira considerou "inaceitável" que a agora ex-diretora do SEF, Cristina Gatões, tenha "demorado quase 300 dias para sair", e que o tenha feito "de forma tão dúbia". Para a deputada, a antiga dirigente da instituição também deveria prestar declarações no Parlamento esta terça-feira.

Isabel Moreira não quis comentar se Eduardo Cabrita deve ou não demitir-se, preferindo "reconhecer" o bom trabalho do ministro ao instaurar 12 processos disciplinares no SEF. Esse inquérito, lembrou, é "mais alargado do que a acusação do Ministério Público".

No entanto, a deputada deixou críticas ao facto de, na quinta-feira, Cabrita ter dado as boas-vindas, com ironia, a todos aqueles que, no seu entender, passaram de repente a interessar-se pelos direitos humanos.

"Aquilo que se espera dos representantes do Estado não é um convite a que as pessoas se juntem a eles, mas sim que peçam desculpa. Isso é que dignifica o Estado", alertou Isabel Moreira.

Cabrita deve sair? "Não nos podemos precipitar"

Pedro Bacelar de Vasconcelos, outro deputado do PS, expressou a sua "perplexidade" por ver "situações gravíssimas e que prejudicam a imagem de Portugal" arrastarem-se durante nove meses.

Questionado sobre se Eduardo Cabrita deve ou não demitir-se, o parlamentar referiu que "a situação é demasiado grave para nos precipitarmos em julgamentos sem termos a informação adequada". Bacelar quer, primeiro, ouvir os esclarecimentos do ministro no Parlamento.

O deputado sublinha, contudo, que o facto de considerar "precipitado" que se tirem conclusões acerca do ministro " não significa, de forma alguma, "minimizar a gravidade" do caso.

"É preciso repensar o SEF"

Para Isabel Moreira, uma das conclusões a tirar deste caso é a necessidade de operar mudanças no SEF.

"É preciso repensar a forma como recebemos e nos relacionamos com os imigrantes. A imigração não é um assunto de polícia, os imigrantes não são putativos criminosos", defendeu a socialista.

Bacelar de Vasconcelos partilha dessa opinião, não excluindo que a entidade seja alvo de uma "profunda reestruturação". Contudo, o deputado vincou que é necessário "aguardar por melhor informação". "Há que ir ao fundo da questão para que não fique tudo na mesma", concluiu.

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