Football Leaks

Dados obtidos ilegalmente não deviam ter sido divulgados, diz Fernando Gomes

Dados obtidos ilegalmente não deviam ter sido divulgados, diz Fernando Gomes

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) disse em tribunal que a informação obtida ilegalmente no âmbito do Football Leaks "não deveria ter sido divulgada". Fernando Gomes afirmou ter sentido um "enorme desconforto" após o ataque informático de que a FPF foi alvo em 2018.

"Não tenho nenhum problema em aceitar a divulgação total dos contratos" dos jogadores, afirmou esta terça-feira o líder da FPF, que está arrolado como testemunha no processo Football Leaks. No entanto, Fernando Gomes reforçou que é necessário "tramitar de forma legal" e com o conhecimento dos envolvidos.

Questionado por Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto - alegado autor do ataque e arguido no processo -, o homem-forte da federação admitiu, já na parte final de um depoimento feito por videoconferência, que as divulgações do Football Leaks poderão ter tido aspetos positivos.

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"A informação obtida de forma ilegal não deveria ter sido divulgada. Se, de uma perspetiva global, essa informação possa ter sido entendida [para uma maior verdade desportiva], tenho de admitir que possa ter tido alguma influência nesse sentido", afirmou o líder federativo.

Fernando Gomes disse só ter tomado conhecimento do ataque entre agosto e setembro de 2018, através da Polícia Judiciária. "Foi como sentir que a nossa casa estava a ser roubada", descreveu.

A favor da Doyen? "Depende das cláusulas"

Teixeira da Mota quis saber a opinião do presidente da FPF sobre os TPO ("Third Party Ownerships"), contratos celebrados por fundos de investimento como a Doyen - empresa que também foi atacada - e que, em 2015, foram proibidos pela FIFA. Gomes respondeu que estes têm de ser avaliados caso a caso.

"Depende da matriz contratual", considerou o presidente da federação. Em caso de 'influência nefasta" dos fundos sobre a carreira do atleta - os fundos ficavam, frequentemente, com o poder de decidir quando e para que clube o jogador seria transferido - Fernando Gomes disse ser contra; caso contrário, afirmou não ter "nada a opor".

A defesa de Rui Pinto insistiu no tema dos fundos de investimento, ouvindo Fernando Gomes dizer ser contra o "controlo" dos jogadores por essas organizações. O líder da FPF admitiu também que a existência de eventuais cláusulas nocivas para os futebolistas punham "em causa a integridade desportiva", mas repetiu que "tudo depende das cláusulas do contrato".

Fernando Gomes recordou que, em 2017, a FPF "pugnou", no Parlamento, pela alteração à Lei da Corrupção, por estar "consciente" de que poderia haver comportamentos do género no futebol português.

Contactos de árbitros e processo a Brahimi entre os "leaks"

O presidente do órgão máximo do desporto-rei a nível nacional foi confrontado pelo Ministério Público com vários documentos que terão sido extraídos por Rui Pinto dos servidores da FPF. Grande parte era sigilosa e, entre ela, contava-se uma lista com os contactos de árbitros. Outro dos documentos era um acórdão de um processo disciplinar a Brahimi, ex-jogador do FC Porto.

Em resposta a Teixeira da Mota, Fernando Gomes disse ainda ter presente que o Manchester City viu um processo ser-lhe movido devido ao incumprimento do fair play financeiro. No entanto, garantiu não saber se esse processo tinha ou não resultado de revelações do Football Leaks. O advogado mostrou-se céptico relativamente a esse desconhecimento: "É pena", ironizou.

O julgamento de Rui Pinto e Aníbal Pinto, os dois arguidos do caso Football Leaks, prossegue na próxima semana.

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