Reconstituição

Defesa de jovem que atropelou irmã de Djaló quer provar que via tinha areia

Defesa de jovem que atropelou irmã de Djaló quer provar que via tinha areia

O jovem que, no ano passado, atropelou mortalmente Açucena Patrícia, irmã de Yannick Djaló, na Moita, mantém a tese de acidente. A defesa quer provar que a via tinha areia mas moradores com quem o JN falou desmentem.

O coletivo de juízes do Tribunal de Almada dirigiu-se, esta quinta-feira à tarde, ao local do atropelamento mortal de Açucena Patrícia para ouvir um cabo da GNR que assistiu a tudo na madrugada de 15 de setembro de 2018 e que quase foi colhido pela viatura de Abel Fragoso. Enquanto a testemunha explicou ao coletivo a trajetória tomada pelo carro, o arguido manteve a tese de acidente provocado por despiste.

O Ministério Público defende que o arguido, em estado embriagado e depois de ter sido agredido na Travessa do Açougue, onde decorria uma festa com cerca de cem pessoas, foi buscar o carro, retirou as baias de segurança na rua de acesso ao centro da Moita, ignorou a ordem de paragem da GNR e irrompeu pelo beco. Aí atingiu várias pessoas, entre as quais Açucena Patrício, que não tinha qualquer relação com as agressões anteriores e que festejava com amigos o regresso às aulas.

Durante a diligência desta tarde, o arguido defendeu que não foi agredido naquele local e que nem tinha lá estado nessa noite. Defendendo que se despistou, não soube explicar o motivo. Segundo foi possível apurar, a defesa do jovem quer provar que a estrada tinha areia e aliar isso ao estado alcoolizado e à inexperiência de condução do arguido, que tinha carta há dois meses.

O JN apurou junto de moradores no local, entre os quais o bombeiro que acorreu a Açucena Patrícia na noite do crime, que a estrada não tinha areia nessa noite e que a areia foi colocada no dia seguinte de manhã para uma corrida de touros que se ia realizar à tarde, como acontece todos os anos.

Abel Fragoso, 22 anos, responde no Tribunal de Almada pela morte da irmã de Yannick Djaló, bem como por 16 crimes de homicídio qualificado tentado, relacionados com aqueles que atingiu com a viatura na madrugada de 15 de setembro. Yannick Djaló exige em tribunal 175 mil euros pela morte da irmã. Desse valor, 125 mil são a título da perda da vida, 30 mil euros devem-se ao sofrimento da vítima antes da morte e 20 mil ao sofrimento do jogador pela perda da irmã, então com 17 anos.