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Defesa de Luís Pina pede absolvição no caso do atropelamento mortal de Marco Ficini

Defesa de Luís Pina pede absolvição no caso do atropelamento mortal de Marco Ficini

O advogado do principal arguido no processo do atropelamento mortal do adepto italiano Marco Ficini junto ao Estádio da Luz, em 2017, pediu esta sexta-feira a absolvição do seu cliente, admitindo que possa ser condenado por homicídio por negligência consciente.

"Em rigor, acho que o meu cliente devia ser absolvido [...], mas admito que possa ser condenado por homicídio por negligência consciente", disse Melo Alves, no fim das alegações finais, que foram esta sexta-feira retomadas no Campus da Justiça, no Parque das Nações, em Lisboa.

De acordo com o advogado, quem infringiu as regras da estrada não foi Luís Pina, mas sim Marco Ficini, criticando a investigação da Polícia Judiciária.

"Critiquei a investigação, porque penso que este tipo de processo, esta dinâmica que aconteceu no acidente -- que foi um acidente de viação independentemente de ser doloso ou não -, a verdade, é que a Polícia Judiciária não estava vocacionada para investigar este tipo de acidentes", afirmou.

Para Melo Alves, devia ter sido outro departamento, como a GNR, a investigar o acidente, porque houve elementos que não foram investigados, como a velocidade do carro do arguido e dinâmica da ocorrência.

"A Polícia Judiciária preocupou-se apenas em saber quem era o condutor do veículo. O meu cliente disse quem era o condutor, esse ponto ficou ultrapassado e desde aí não se investigou mais nada e o que se investigou foi mau", salientou.

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Em 2 de março, Ministério Público (MP) pediu a condenação de Luís Pina, no caso do atropelamento mortal do adepto italiano junto ao Estádio da Luz, pelos crimes de homicídio por dolo eventual, omissão de auxílio e ofensas à integridade física.

Durante as alegações finais, a procuradora do MP deixou cair as acusações sobre os restantes 21 arguidos acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

Os factos remontam à madrugada de 22 de abril de 2017, quando Marco Ficini, que pertencia à claque do clube italiano Fiorentina "O Club Settebello" e era adepto do Sporting, morreu após um atropelamento e fuga junto ao Estádio da Luz, horas antes de um jogo entre o Sporting e o Benfica.

Durante os confrontos e perseguições entre adeptos do Sporting e do Benfica, Luís Pina, de 35 anos e com ligações à claque do Benfica "No Name Boys" atropelou mortalmente Ficini, "arrastando o corpo por 15 metros", imobilizando o carro só "depois de ter passado completamente por cima do corpo da vítima", descreve a acusação, acrescentado que o arguido abandonou o local "sem prestar qualquer auxílio".

O Ministério Público acusou, em outubro de 2017, 22 arguidos (10 adeptos do Benfica com ligações aos "No Name Boys" e 12 adeptos do Sporting da claque 'Juventude Leonina') pelo atropelamento mortal de Ficini.

Luís Pina está acusado do homicídio de Marco Ficini e de outros quatro homicídios, na forma tentada, enquanto os restantes arguidos estão acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

A leitura do acórdão do processo foi agendada para 30 de outubro às 14:30 horas.

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