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Defesa de Rendeiro apresenta queixa contra funcionário que quis "vender" liberdade

Defesa de Rendeiro apresenta queixa contra funcionário que quis "vender" liberdade

A equipa de defesa de João Rendeiro disse, esta quarta-feira, ter apresentado queixa contra um funcionário judicial que a troco de dinheiro lhe garantia a aprovação da liberdade sob caução do ex-banqueiro por parte do magistrado que dirige o caso.

"Não estamos a pedir a sua recusa nesta fase", disse o advogado Sean Kelly ao magistrado sul-africano Rajesh Parshotam logo no início da sessão dsta quarta-feira - em que defesa e acusação expuseram argumentos a favor e contra a libertação sob caução, acrescentando: "Sabemos que não está envolvido".

"É de facto chocante que estas cosas aconteçam", reagiu Parshotam, agradecendo à equipa de defesa por denunciar o caso. "Obviamente, a polícia vai investigar a referida pessoa e tomar as medidas necessárias", concluiu.

Sean Kelly leu a partir do telemóvel a mensagem que a sua advogada instrutora, June Marks, disse ter recebido. O autor identifica-se como Sifiso, funcionário do tribunal de magistratura de Pinetown, arredores de Durban.

"Venho em nome do 'seu' juiz, para manter as coisas profissionais entre vós: face à pressão do governo para deter o vosso cliente, esta é a única tábua de salvação que ele tem e fiquem contentes de estar em Durban", disse. "Na cidade, quem tem dinheiro suficiente, pode abrir o seu caminho", acrescentou, concluindo a mensagem.

"A minha advogada [instrutora], June Marks, disse que ia aprestar queixa à polícia", referiu, sustentando que a colega "tinha o dever de informar a procuradoria", o que também já tinha feito.

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O procurador na sala, Naveen Sewparsat, não levantou objeções à exposição do advogado de Rendeiro, que ficou registada que ocupou três minutos e meio no início da sessão e ficou encerrado.

"Nada vai atrasar" extradição de Rendeiro

A magistrada Maria José Morgado disse que "nada vai atrasar" o processo de extradição do ex-banqueiro João Rendeiro e, tendo em conta que se verificam os requisitos exigíveis, manifestou uma "previsão otimista" numa decisão sul-africana nesse sentido.

À entrada para a cerimónia de entrega dos Prémios Tágides 2021, que apresentam, esta quarta-feira, a sua primeira edição e os primeiros vencedores numa cerimónia no auditório da Fundação Champalimaud, em Lisboa, Maria José Morgado recusou comentar concretamente quer o caso da detenção do ex-ministro da Economia Manuel Pinho, quer o caso da detenção na África do Sul do ex-banqueiro condenado pela justiça portuguesa, João Rendeiro.

No entanto, questionada sobre eventuais atrasos na tradução do processo que a Procuradoria-Geral da República deve enviar para a justiça da África do Sul para fundamentar o pedido de extradição de João Rendeiro, Maria José Morgado recusou que venham a acontecer atrasos. "Não pode atrasar nada, nada vai atrasar este processo como é evidente", disse.

Questionada se a afirmação de João Rendeiro à saída de uma audiência em tribunal, na qual disse que não regressaria a Portugal, seria indicativa de margem legal para que esse regresso não se verificasse, Maria José Morgado manifestou-se convicta de estarem reunidos todos os pressupostos para que a extradição se concretize.

"A única coisa que posso dizer é que formalmente preenche todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, o juízo sobre a probabilidade do cumprimento da medida e da entrega da pessoa é um juízo positivo, meramente formal que faço. É uma opinião pessoal, não sei o que vai acontecer. É isto. Temos que raciocinar com base nos requisitos exigíveis, os requisitos exigíveis aparentemente estão preenchidos, se estão preenchidos, tenho uma previsão otimista", disse a procuradora do Ministério Público jubilada, candidata finalista aos prémios hoje entregues.

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