Operação Marquês

Acusação a Sócrates é uma "fuga para a frente", diz a Defesa

Acusação a Sócrates é uma "fuga para a frente", diz a Defesa

A Defesa de José Sócrates afirmou, esta quarta-feira à noite, em conferência de imprensa, que a acusação apresentada esta manhã é "uma fuga para a frente". Advogados insistem no afastamento do juiz Carlos Alexandre.

Segundo Pedro Delille e João Araújo, José Sócrates já recebeu a acusação, mas os advogados ainda não foram notificados, pelo que ainda não foi decidido se vão avançar com a abertura da instrução do processo.

O advogado João Araújo voltou a atacar a investigação da Operação Marquês, garantindo que o Ministério Público foi alterando ao longo do tempo as imputações ao antigo primeiro-ministro e que a prisão preventiva de José Sócrates "serviu para investigar".

Ainda assim, Araújo considerou que este "é um bom momento" para Sócrates, porque, segundo o causídico, "a partir de hoje fica fixada a versão do Ministério Público e não poderá ser ajustada a narrativa", como alega ter acontecido à medida que as outras "iam falindo".

Referindo uma "violenta campanha de difamação e condenação sumária na opinião pública" e criticando os prazos dados para que a investigação fosse prolongada, Araújo conclui que a acusação apresentada esta quarta-feira - que será "vazia de factos" - é "uma fuga para a frente".

O Ministério Público, "quando o tempo ultrapassou o insuportável, que já não podia adiar mais e mais, ensaiou uma fuga para a frente com esta acusação".

Sobre o juiz de instrução que poderá tomar conta do processo na próxima fase, os dois advogados disseram aos jornalistas que estavam convictos de que Carlos Alexandre "não pode ser juiz no processo de instrução" e que tinham apresentado um recurso no sentido de o impedir.

Antes, em comunicado enviado à agência Lusa, os advogados João Araújo e Pedro Delille tinham já referido esta quarta-feira que "irão examinar detalhadamente o despacho e todos os elementos do processo e irão usar todos os meios do direito para derrotar, em todos os terrenos, essa acusação infundada, insensata e insubsistente".

"A um primeiro relance, trata-se de um romance, de um manifesto, vazio de factos e de provas, pois não pode ser provado o que nunca aconteceu. Trata-se de retomar e desenvolver os mesmos temas numa iniciativa de grande espetáculo", argumenta a defesa de Sócrates.

O Ministério Público acusou José Sócrates de 31 crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.