Agressão

Detenção de motorista de autocarro indigna adeptos do Paços de Ferreira

Detenção de motorista de autocarro indigna adeptos do Paços de Ferreira

Condutor alega ter sido agredido por militares da GNR e está indiciado pelo crime de resistência e coação sobre funcionário. Guarda abriu um processo interno para averiguar as circunstâncias da ocorrência.

O motorista de um autocarro em que seguiam adeptos do Futebol Clube Paços de Ferreira alega que foi agredido por militares do Destacamento de Intervenção da GNR antes de ser detido, no final do jogo entre pacenses e o Desportivo das Aves, que se disputou na tarde de domingo.

Já na manhã desta segunda-feira, o condutor, que tem um braço engessado e está indiciado pelo crime de resistência e coação sobre funcionário, passou pelo tribunal de Santo Tirso, onde também apresentou queixa contra os guardas.

A GNR abriu um processo interno para averiguar as circunstâncias da ocorrência.

O incidente ocorreu quando os adeptos do clube pacense abandonavam o estádio do Clube Desportivo das Aves, depois de vencer por 3-1 um jogo a contar para a Liga Portuguesa de Futebol. Já com os quatro autocarros, escoltados pela GNR, a circular nas imediações do recinto desportivo, os adeptos dos dois clubes envolveram-se em provocações, que levaram a que fossem arremessadas garrafas do interior do autocarro em direção aos simpatizantes do Aves. Nesta altura, os militares ordenaram a paragem da viatura e que o motorista abrisse a porta.

A porta, porém, não abriu de imediato e o condutor foi, então, retirado para o exterior e detido. Em vídeos publicados nas redes sociais, vê-se o motorista a ser abordado por mais de cinco guardas, a ser deitado no chão e atingido com o bastão, perante os insultos e protestos dos adeptos no interior do autocarro. Para Pedro Costa, dono da empresa de transportes e que conduzia uma das quatro viaturas, o condutor sofreu "agressões bárbaras", que lhe provocaram ferimentos graves num braço e escoriações no restante corpo. "Estamos a falar de um profissional que estava a fazer o seu trabalho e nada tinha a ver com o sucedido. Foi estupidamente detido e agredido. Foi levado para o Hospital de Guimarães diretamente do posto da GNR", descreve. Também o presidente do F. C. Paços de Ferreira, Paulo Menezes, referiu que é "lamentável tudo aquilo que é possível ver nos vídeos, porque nada justifica a brutalidade contra o motorista".

O dirigente adiantou ainda que foram instaurados dois processos judiciais: um em que o motorista está indiciado pelo crime de resistência e coação sobre funcionário e outro em que o detido pede responsabilidades pela conduta dos militares. "As forças de segurança deviam ser um garante da legalidade, não a fonte da própria ilegalidade", considerou Paulo Menezes, que afirma que o clube está "solidário" com o motorista.

Contactada a GNR, afirmou que foi aberto um processo interno, para averiguar as circunstâncias da ocorrência.