Torres Novas

Detida pela PJ dona de lar ilegal onde morreram duas idosas

Detida pela PJ dona de lar ilegal onde morreram duas idosas

Mulher é suspeita da prática de maus tratos agravados pelo resultado morte e profanação de cadáver. Corpo de uma das utentes mortas foi escondido por tempo indeterminado.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve a proprietária do lar ilegal de Torres Novas, onde duas utentes, de 90 e 92 anos, morreram esta semana. A mulher, de 41 anos, é suspeita da prática de dois crimes de maus tratos agravados pelo resultado morte, um crime de profanação de cadáver e dois crimes de maus tratos.

A PJ confirma que a agora arguida "arrendou uma casa que adaptou para casa de acolhimento" e "acolhia quatro idosas, cobrando uma mensalidade fixa e comprometendo-se a prestar os cuidados devidos às mesmas". "Foi apurado que na sequência de maus tratos infligidos, duas das idosas vieram a falecer, sendo que o cadáver de uma delas foi ocultado por tempo ainda indeterminado, sem que a arguida comunicasse a morte ocorrida às autoridades competentes ou a familiares", acrescenta o comunicado da Judiciária.

Na edição desta sexta-feira, o JN avançou que uma das utentes do lar ilegal, situado no bairro Sopovo, em Riachos, Torres Novas, faleceu na terça-feira e a outra no dia seguinte. Contudo, os familiares nunca foram informados e as mortes só foram descobertas quando a neta de uma das vítimas se dirigiu ao lar ilegal para transferir a avó para outra instituição e foi impedida de entrar na casa de acolhimento pela proprietária. "Estava aflita, queria mudar a avó para outro lar. Provavelmente, já teria visto alguma coisa que não gostou. Como não conseguiu entrar, ligou para a GNR", contou, ao JN, Isabel Almeida, moradora do bairro Sopovo.

A chegada das autoridades permitiu encontrar os corpos das duas mulheres, um dos quais já com rigidez cadavérica. "Nunca suspeitámos de que fosse um lar ilegal. Só achava estranho a dona da casa levar muito pão e bolos só para ela e estar sempre tudo muito fechado. [Os utentes] nunca saíam à rua", contou Matilde Simões, vizinha do lar.

Já o presidente da Junta de Freguesia de Riachos, José Júlio Ferreira, falou, sem adiantar pormenores, num cenário "macabro", enquanto o edil de Torres Novas, Pedro Ferreira, confirmou que "as condições estavam longe das que são exigíveis". "É incrível que ninguém dos vizinhos se tenha apercebido", criticou o autarca.

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