Imigração

Detida última suspeita do grupo que aliciava portuguesas para casamentos de conveniência

Detida última suspeita do grupo que aliciava portuguesas para casamentos de conveniência

O SEF deteve, esta quinta-feira, em Lisboa, a última suspeita de pertencer a uma rede internacional que recrutou pelo menos 50 mulheres portugueses para casamentos de conveniência com homens paquistaneses.

Na terça-feira, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras já tinha detido três pessoas no âmbito desta operação, denominada Amouda e realizada em colaboração com as autoridades belgas.

O SEF adianta que este grupo criminoso está indiciado pelos crimes de associação ao auxílio à imigração ilegal, imigração ilegal, falsificação ou contrafação de documentos, casamentos de conveniência e associação criminosa.

A mulher detida esta quinta-feira, angariadora e nubente, vai ser ouvida na sexta-feira no Tribunal de Loures.

Os três detidos na terça-feira ficaram em prisão preventiva depois de terem sido ouvidos em primeiro interrogatório judicial.

No âmbito desta operação foram ainda constituídos arguidos uma advogada e um quinto suspeito, que ficaram obrigados a apresentações diárias na PSP da área de residência.

Nesta operação, que contou com o apoio da Europol e da Eurojust, foram realizadas 18 buscas domiciliárias, encontrados dezenas de documentos falsificados, apreendidos diversos equipamentos informáticos (laptops, desktops e outros dispositivos móveis), grandes quantias de dinheiro e, ainda, produto estupefaciente.

De acordo com o SEF, o grupo criminoso estava envolvido na facilitação da imigração ilegal, através da organização de casamentos conveniência, predominantemente entre cidadãs nacionais e cidadãos indostânicos.

Além dos detidos em Portugal, a Europol indicou que na Bélgica foram detidas 17 pessoas que alegadamente pertenciam a este grupo de crime organizado, que recrutava mulheres portuguesas para casarem com homens paquistaneses que nunca tinham visto antes a troco de "vários milhares de euros".

O SEF explica que as mulheres portuguesas eram recrutadas para casar com homens de origem indostânica, que não conheciam, e, em contrapartida, recebiam cerca de cinco mil euros, viajando depois os casais para a Bélgica, onde os cidadãos indostânicos tentavam a legalização por via do casamento com cidadã comunitária, "o que permitia aos maridos permanecer na União Europeia, obter autorizações de residência e, em seguida, obter lucros ilícitos com benefícios sociais".

O SEF deu início a esta investigação em 2016, após as autoridades belgas terem detetado um aumento suspeito do número de certidões de casamento emitidas em Portugal, que viriam a revelar-se falsas.

Devido à natureza internacional do crime foi criada uma equipa conjunta de investigação entre a Polícia Federal Belga e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que realizaram ações em simultâneo em Bruxelas, Lisboa e Algarve.

Para facilitar a cooperação direta, oficiais belgas estiveram presentes em Portugal enquanto uma equipa do SEF viajou para a Bélgica.

A Europol apoiou a operação conjunta no centro de coordenação criado pela Eurojust e analistas deste organismo europeu de polícia foram destacados para a Bélgica e Portugal para verificação cruzada de informações em tempo real e análise forense de telemóveis.

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