Justiça

Diana e Iuri exigiam a Amélia Fialho mesada fixa

Diana e Iuri exigiam a Amélia Fialho mesada fixa

As discussões entre Amélia e a filha adotiva prendiam-se por Diana exigir à mãe uma mesada fixa para ela e para o marido, Iuri, desempregados e a viver dependentes da professora.

Maria Filipa de Sousa, colega de Amélia Fialho na Escola Secundária Jorge Peixinho, era o ombro amigo da vítima de assassinato e, esta quinta-feira, em tribunal, descreveu tudo o que Amélia lhe confessou ao longo dos anos, desde os motivos pelos quais adotou uma criança às agressões a que era sujeita pela filha adotiva.

"Quando a Amélia quis adotar uma criança era para que tivesse alguém a quem deixar os seus bens", referiu a professora. Em 2013, Amélia realizou um testamento onde incluiu a filha adotiva, mas era frequente arrepender-se de tê-lo feito. "A Amélia era bastante volátil no que toca ao assunto do testamento, quando discutia com a filha dizia que a ia tirar do testamento, chegou a dizer que ia deixar tudo à Casa Gaiato, mas quando a relação era boa voltava atrás".

Maria Filipa de Sousa conta que Amélia se queixava de agressões por parte da filha na sequência de discussões relacionadas com dinheiro, mas nunca lhe referiu que Iuri participava nessas quezílias. "Quando o casal começou a viver lá em casa, eram os dois bastante prestáveis, ajudavam na lida da casa, mas depois tudo mudou e começaram a surgir discussões que acabavam com Diana a agredir a mãe".

A colega de Amélia foi professora de Diana na escola no Montijo e ao tribunal contou uma situação que a marcou para sempre e que mostra, a seu ver, o carácter manipulador da arguida. "Dei uma nota que não foi do agrado da Diana e ela conseguiu virar a própria mãe contra mim dizendo que dei aquela nota por maldade e colocando em causa a nossa amizade".

A professora, também de físico química teve que analisar o teste em questão com Amélia, que lecionava a mesma disciplina, e no fim, recebeu um pedido de desculpas. Maria Filipa de Sousa referiu ainda que "nos últimos meses antes de desaparecer, a Amélia deixou de ser a pessoa alegre de sempre, passou a vestir muita roupa e a queixar-se de dores".

Quando a filha deu conta do desaparecimento, através das redes sociais, a docente desconfiou imediatamente da filha e do genro. "A Amélia não era pessoa de sair sozinha à noite, sem o cão e sem o carro, tal como a Diana descreveu no apelo que fez nas redes sociais, mas o que mais me estranhou foi a forma como escreveu, referindo-se à mãe no passado".