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Direção de Veterinária manda encerrar canil de Gouveia

Direção de Veterinária manda encerrar canil de Gouveia

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) acaba de ordenar o encerramento de um canil em Moimenta da Serra, em Gouveia, por alegado abandono e omissão de cuidados a 103 animais. Quase em simultâneo, a responsável deste canil, Liliana dos Santos, foi acusada, pelo Ministério Público (MP), da prática de 23 crimes de maus-tratos de animais num outro canil, na localidade de S. Paio, no mesmo concelho de Gouveia.

Liliana dos Santos, de 39 anos, foi notificada no final da semana passada do encerramento do canil em Moimenta da Serra. Segundo apurou ainda o JN, ainda decorre o prazo para a visada contestar os fundamentos da perda de licença e consequente encerramento.

Na decisão da DGAV, organismo na dependência do Ministério da Agricultura, terão pesado testemunhos de vizinhos e doadores, que deram conta da falta de assistência aos animais residentes no "Cantinho da Lili".

Com exceção dos três dias semanais em que uma voluntária de deslocava à quinta, os cães seriam "condenados a largos períodos de fome e sede", estando alguns confinados a "gaiolas de um metro quadrado", que deveriam ser usadas apenas para transporte ", alguns deles feridos e doentes.

Fiel depositária à vista

A confirmar-se a decisão da DGAV, os animais poderão ficar no mesmo espaço, à guarda da proprietária da quinta, que, pese embora tenha assinado há dois anos um contrato de compra e venda, não chegou a consumar o negócio com a dona do canil.

"Se for nomeada fiel depositária dos animais tenho muito gosto em tratar deles, constituir uma associação para o efeito e depois iniciar o processo de adoção dos cães", disse ao JN Lurdes Perfeito, empresária de Gouveia.

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"Durante sete anos, cedi o espaço, vendi em 2019 e recebi um sinal de 10 mil euros, mas, por razões que me são alheias, a escritura nunca foi feita", contou ainda Lurdes Perfeito, que não nega desentendimentos antigos com Liliana dos Santos: "Logo em 2013, trouxe alguns cães violentos de um canil de Aveiro e misturou-os com os que já aqui estavam e não se mataram todos entre si por sorte", recordou, para justificar o início das animosidades com quem, diz, não tem condições para tratar dos cães.

Ministério Público acusa por maus-tratos

Liliana dos Santos recebeu a segunda ordem do mesmo género em menos de sete meses, e, em paralelo, foi acusada pelo Ministério Público (MP) da prática de 23 crimes de maus-tratos a animais do canil sediado na localidade de S. Paio, em Gouveia.

O referido canil foi fechado, em setembro do ano passado, na sequência de denúncias efetuadas por vizinhos à GNR da Guarda.

À data, um dos animais foi encontrado morto e em avançado estado de decomposição, sendo que os restantes 22 aparentavam "evidente estado de desnutrição", pelo que foram apreendidos e distribuídos por outros canis da região.

Soube-se na altura que os cães já tinham destruído as redes das jaulas onde se encontravam confinados e avançado para terrenos à volta, em busca de água e alimentos.

Quer o veterinário municipal, quer elementos do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) confirmaram a "inexistência de condições de salubridade" do local que acolhia cães "com magreza extrema".

Não foi possível, ao JN, obter uma reação de Liliana dos Santos.

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