Lisboa

Discussão entre refugiados acaba com esfaqueamento mortal

Discussão entre refugiados acaba com esfaqueamento mortal

Homem que faleceu na manhã desta quarta-feira tinha chegado há alguns meses a Portugal. Homicídio aconteceu em casa de acolhimento de refugiados.

O homem de 29 anos que, na manhã desta quarta-feira, morreu esfaqueado em Lisboa é um refugiado que chegou, há poucos meses, a Portugal, através da Plataforma de Apoio a Refugiados. Também o homicida, de 45 anos, chegou a território nacional no âmbito dos acordos que o Governo formalizou com as autoridades internacionais. Já foi detido e será, na quinta-feira, levado a tribunal para ser sujeito a primeiro interrogatório judicial.

Segundo o JN apurou, os dois refugiados estavam colocados na mesma casa de acolhimento, situada no centro de Lisboa e que albergava cerca de dez pessoas que procuraram refúgio em Portugal. A partilha de rotinas nem sempre foi pacífica ao longo do tempo e, na manhã desta quarta-feira, os dois homens envolveram-se numa discussão, motivada pelas críticas feitas pela vítima ao agressor. O primeiro acusava o colega de casa de "se portar mal", não ter um comportamento recomendável e de ser uma má influência para os restantes refugiados a viver naquela residência. Defendia, por isso, que aquele devia abandonar a habitação. O acusado não gostou do que ouviu e reagiu com violência. Pegou numa faca e atacou o opositor, esfaqueando-o nas costas.

Pediu ajuda no restaurante onde morreu

Gravemente ferida, a vítima saiu da habitação, dirigiu-se ao mercado de Arroios e entrou no restaurante "Delícias da Praça" a pedir ajuda. Acabou por falecer dentro do estabelecimento, apesar de ter sido assistido por populares e pelo INEM, que terá chegado 20 minutos depois, como relataram algumas testemunhas. Ao JN, o proprietário do restaurante "Delícias da Praça" referiu que estava a trabalhar quando foi surpreendido pela entrada do jovem a esvair-se em sangue. "Estava a fazer sumos quando o indivíduo entrou a pedir ajuda, já esfaqueado. Acabou por morrer no local. O corpo está lá dentro, eu estou fechado e a perder clientes e dinheiro por causa disto", contava o empresário, ao final da manhã.

Antes de entrar no restaurante, a vítima terá passado por outras lojas do mercado de Arroios. Ariel Tavares, funcionário do "Talho Paulo Dionísio", foi um dos que viu o ferido a cambalear e a dirigir-se ao café. "Entrou a gritar 'faca faca', em inglês, muito ensanguentado, e deitou-se no chão. Ninguém lhe dava assistência e, como já fui bombeiro voluntário, decidi prestar os primeiros socorros, mas o corte era muito profundo e não havia muito mais a fazer. Tirei-lhe a camisola, mas era tanto sangue que nem conseguia chegar ao corpo", contou.

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Na padaria, outra testemunha, que preferiu manter o anonimato, confirmou que "o homem vinha descalço, a fugir, como se tivesse saído de casa a correr", e Filipe Figueiredo, funcionário do "Talho do Povo", também observou "um homem com um corte bastante profundo". "Quando o vi disse logo que ia ficar. Ainda tentámos estancar a ferida, mas não conseguimos", acrescentou.

Homicida ainda tentou a fuga

Nesta altura, já a PSP tinha sido alertada e os primeiros agentes a chegar ao local intercetaram o homicida na Avenida Almirante Reis, nas imediações do mercado de Arroios e também da habitação onde decorreu o esfaqueamento. Sem estar na posse da faca usada no crime, ainda tentou fugir, mas foi detido quase de imediato. Em seguida, foi entregue ao cuidado da Polícia Judiciária, que o levará ao tribunal para ser interrogado pelo juiz de instrução criminal.

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