Vila Real

Disparou em torneio de sueca porque lhe apertaram o pescoço

Disparou em torneio de sueca porque lhe apertaram o pescoço

O empresário acusado de matar um homem e ter disparado contra mais quatro pessoas num torneio de sueca, em Tuizendes, Vila Real, confessou ser o autor dos tiros, mas garantiu que não teve intenção de fazer mal a ninguém.

Paulo Clemente, 48 anos, explicou que a vítima mortal lhe "amarfanhou o pescoço" e que disparou para se "proteger".

Quinta-feira, no início do julgamento no Tribunal de Vila Real, Paulo Clemente disse estar "profundamente arrependido". Está acusado de um homicídio qualificado e quatro tentativas de homicídio. Na noite de 23 de dezembro do ano passado, Luís Matos, 50 anos, foi atingido no abdómen e morreu no local. Outros três amigos ficaram feridos com gravidade, mas sobreviveram. O homicida ainda disparou na direção de um quinto homem, que escapou ileso.

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No julgamento, Paulo Clemente contou que, durante o torneio, pediu a um jogador, que é uma das vítimas, para fazer menos barulho e que este respondeu com insultos. "Começou a berrar comigo. Chamaram-me nomes, fizeram o gesto de passar a mão no pescoço e disseram-me para estar calado", descreveu o arguido, que acrescentou que uma das vítimas disse que lhe "ia torcer o pescoço como fazem aos passarinhos".

O arguido disse que ficou "assustado" e que foi ao carro, estacionado no exterior da sede da associação onde estava a decorrer o torneio, buscar duas armas, para as quais tinha licença de porte. "Se fosse hoje tinha ido embora. Estraguei a minha vida, da minha família e das vítimas", disse.

Foi quando regressou à associação que, segundo Paulo Clemente, a vítima mortal lhe apertou o pescoço. O arguido explicou que conseguiu afastá-lo com "um pontapé nas partes íntimas" e que disparou "para o braço" para se defender. "Depois vinham mais dois ou três na minha direção e disparei para as pernas", explicou o arguido, referindo-se às três vítimas atingidas que sobreviveram. O suspeito negou ter apontado a arma à cabeça de um dos homens feridos, já depois de o atingir, e garantiu que "nunca disse que ele não ia ficar cá para contar".

Os três homens atingidos pelo alegado homicida disseram em tribunal que tudo começou com uma "discussão banal". Um deles contou que o arguido apareceu com as armas e disse "eu para vós tenho isto", disparando de seguida. Aos juízes, Paulo Clemente disse ser uma pessoa "fraquinha" e ansiosa e explicou que sentiu "necessidade" de se defender do grupo. O arguido enviou cartas às vítimas com pedidos de desculpa e, por iniciativa própria, decidiu avançar com o pagamento de indemnizações.

Advogado de vítima renuncia

O advogado Paulo Rebelo renunciou ao mandato depois de o cliente, uma das vítimas dos disparos, ter afirmado em tribunal que não recebeu qualquer verba referente à indemnização paga pelo arguido. "Juntei aos autos o pagamento integral e sem reservas feito pelo arguido. O meu cliente disse que não recebeu qualquer valor indemnizatório, mas tenho dois documentos assinados por ele em como recebeu duas vezes", explicou o advogado. Em causa estarão oito mil euros. Já depois desta decisão, Paulo Rebelo decidiu anular a mesma e vai manter-se como advogado deste cliente.

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