Operação Marquês

Distribuição do processo foi "manipulada", acusa Sócrates

Distribuição do processo foi "manipulada", acusa Sócrates

O antigo primeiro-ministro José Sócrates considerou esta sexta-feira que a distribuição do processo da Operação Marquês ao juiz Carlos Alexandre foi manipulada e viciada", acusando o Ministério Público de ter "escolhido" aquele juiz.

"No momento em que o processo Marquês chegou ao Tribunal Central de Instrução Criminal, a sua distribuição foi manipulada, foi viciada para que o juiz Carlos Alexandre ficasse com o processo", afirmou o ex-governante.

José Sócrates falava aos jornalistas à saída do Campus da Justiça, em Lisboa, no final da leitura da decisão instrutória em que foi pronunciado para ir a julgamento em três crimes de branqueamento de capitais e outros tantos de falsificação de documentos.

"O juiz decidiu levar-me a julgamento por três crimes de branqueamento e eu quero dizer em primeiro lugar que isso não é verdade e que me vou defender", afirmou José Sócrates à saída do Campus da Justiça, no final da leitura da decisão instrutória.

O antigo chefe de Governo (entre 2005 e 2011) e o empresário Carlos Santos Silva vão a julgamento no processo Operação Marquês por branqueamento de capitais e outros crimes de falsificação de documentos.

Em declarações aos jornalistas, José Sócrates disse que não aceitava as acusações pelas quais foi pronunciado, sem confirmar, no entanto, se iria recorrer para o Tribunal da Relação da decisão instrutória do juiz Ivo Rosa, ou se se defenderia em julgamento.

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Relativamente aos crimes de falsificação de documentos, o ex-primeiro ministro acrescentou que nunca os assinou e, por isso, não se conforma.

José Sócrates estava acusado de 31 crimes, entre os quais corrupção passiva de titular de cargo político, branqueamento de capitais, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada, tendo o juiz Ivo Rosa deixado cair a maioria, incluindo todos os crimes de corrupção constantes do processo.

"A justiça estava errada, todas as grandes mentiras contadas aos portugueses em sete anos são falsas e isso ficou hoje aqui provado", afirmou.

O ex-primeiro-ministro deixou ainda críticas ao Ministério Público, que acusou de ter motivações políticas na acusação, considerando que a decisão instrutória deixou isso claro.

"Tudo isto é uma gravíssima injustiça e o que fizeram com a acusação tem uma motivação política. Sempre teve uma motivação política", disse.

"Vocês ouviram as expressões do juiz e isso quer dizer que o Ministério Público cometeu um erro gravíssimo. Mas não foi um erro, eles queriam insultar-me", acrescentou, sublinhando que "tudo isso ruiu finalmente".

Por outro lado, questionado pelos jornalistas se este resultado da fase de instrução abria portas ao regresso à atividade política, o ex-governante disse apenas que esse era um debate para ter consigo próprio.

Seis anos após ter sido detido no aeroporto de Lisboa, o ex-primeiro-ministro José Sócrates e os outros 27 arguidos da Operação Marquês ficaram hoje a saber por que crimes são ou não pronunciados.

Além de Sócrates, no processo estão também outras figuras públicas, como o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, o antigo ministro socialista e ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos Armando Vara, os ex-líderes da PT Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, o empresário Helder Bataglia e Carlos Santos Silva, alegado testa-de-ferro do ex-primeiro-ministro e seu amigo de longa data.

No processo estão em causa 189 crimes económico-financeiros.

A fase de instrução começou em 28 de janeiro de 2019, sob a direção do juiz Ivo Rosa, do Tribunal Central de Instrução Criminal, sendo esta passível de recurso, caso os arguidos não sejam pronunciados nos exatos termos da acusação.

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