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Doença e recusa de juízas adia por horas início do julgamento de motards dos Hells Angels

Doença e recusa de juízas adia por horas início do julgamento de motards dos Hells Angels

O início do julgamento de 88 membros do grupo de motards Hells Angels, agendado para a manhã desta terça-feira, foi adiado para as 14 horas, devido à doença de duas juízas e à recusa de uma terceira em integrar o coletivo.

A dificuldade em completar o trio de magistrados que irá presidir ao julgamento, em Loures, foi comunicada esta manhã pela presidente do coletivo de juízes, Sara Pina Cabral, e foi recebida com reserva pelos advogados dos arguidos.

Os defensores temem que possa ter sido violado o princípio do juiz natural, que proíbe a escolha de um magistrado de forma arbitrária, e pediram para ter acesso aos despachos e orientações que determinaram a sucessão de substituições.

Segundo o tribunal, uma das juízas-adjuntas que integra habitualmente o coletivo a quem foi atribuído, por sorteio, o julgamento encontra-se de baixa médica. Já a sua substituta legal irá ser alvo de uma intervenção cirúrgica na próxima semana, ficando pelo menos um mês também de baixa médica.

A magistrada que se seguiu recusou, por sua vez, integrar o coletivo, por motivos que não são públicos. Esta terça-feira à tarde, o julgamento deverá começar, consoante a decisão do Conselho Superior da Magistratura, ou com esta juíza ou com a sua substituta.

A sessão decorre, dado o número elevado de arguidos e a necessidade de distanciamento físico, num pavilhão multiusos em Camarate, Loures. O processo está afeto ao Tribunal de Loures e em causa estão crimes como associação criminosa e tentativa de homicídio.

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Os factos remontam a 2018, quando, segundo o Ministério Público (MP) , os suspeitos planearam eliminar a célula do grupo de motards Red & Gold, apadrinhado pelos bandidos MC, que estaria a ser constituída em Portugal por Mário Machado, então líder de um movimento nacionalista de extrema-direita entretanto suspenso. Os Hells Angels ("anjos do inferno") pretenderiam o monopólio do submundo do crime entre gangues de motards.

Na prossecução do plano, alguns dos arguidos terão invadido, em março daquele ano - munidos de machados, soqueiras e bastões - um restaurante no Prior Velho, Loures, para atacar Machado, ali reunido com elementos dos Red & Gold. O principal alvo conseguiu fugir, mas os seus interlocutores ficaram gravemente feridos.

Os atos foram, porém, imputados pelo MP a todos os arguidos. A maioria contestou, em instrução, a acusação, mas perdeu e o caso seguiu mesmo para julgamento, com 88 arguidos. As diligências vão decorrer sob fortes medidas de segurança.

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