Crime

Donos de animais recorrem a veneno para os matar

Donos de animais recorrem a veneno para os matar

Os detentores de animais de companhia têm recorrido a "formas mais insidiosas" de os matar, nomeadamente com recurso ao veneno, principalmente desde a criminalização dos maus tratos e do abandono dos animais, segundo um elemento da GNR.

Ricardo Alves, chefe da repartição da natureza e ambiente do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA) da GNR, falava à agência Lusa, à margem da conferência sobre a lei da criminalização de maus tratos a animais, organizada pelo partido PAN - Pessoas, Animais, Natureza, que decorreu hoje na Assembleia da República.

De acordo com este militar, desde a criminalização dos maus tratos e abandono dos animais, que entrou em vigor há ano e meio, este serviço tem detetado "formas mais insidiosas" dos detentores matarem os seus animais, "de forma a que tenham menos pena do resultado praticado". "Uma delas é a utilização de produtos tóxicos".

"Sempre que há criminalização, há sempre um aperfeiçoamento das práticas", afirmou o major Ricardo Alves.

Este agente da GNR acrescentou que muitas vezes os detentores de animais recorrem a "produtos de livre acesso, até porque os deitam nos seus terrenos para efeitos de fertilizantes" e utilizam-nos nos animais "quando se querem ver livres" deles.

"Na mente dos detentores está inerente uma situação de impunidade. Contudo, o nosso trabalho de investigação (...) muitas vezes consegue identificar uma correlação e nexo de causalidade entre efeito e a prática da utilização do tóxico", adiantou.

Desta forma, as autoridades conseguem "muitas vezes provar quem é de facto o suspeito desse mesmo crime".

De acordo com o major Ricardo Alves, o SEPNA registou 3.816 denúncias em 2015. Nesse mesmo ano foram registados 655 crimes: 460 de maus tratos e 195 de abandono de animais.

Destes 655 crimes, foram identificados suspeitos de 381. Os primeiros dados apontam que os homens praticam mais os maus tratos e que o abandono tanto é concretizado por homens como por mulheres.

Também presente na conferência, o diretor de operações da Direção Nacional da PSP, Luís Filipe Simões, lembrou que esta força de segurança recebeu 728 denúncias em 2015.

No primeiro trimestre deste ano, foram já registadas 196 denúncias, quando o período homólogo de 2015 tinha registado 101 denúncias.

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