Duarte Lima

Duarte Lima acusado da morte de Rosalina Ribeiro

Duarte Lima acusado da morte de Rosalina Ribeiro

Duarte Lima foi acusado, esta quinta-feira, pelas autoridades brasileiras do homicídio de Rosalina Ribeiro e foi requerida a sua prisão preventiva. A Interpol terá sido contactada para que inclua o nome de Duarte Lima na lista de pessoas procuradas pela Justiça.

De acordo com a Agência Lusa, o documento do Ministério Público brasileiro refere que a acusação de Duarte Lima foi encaminhado para o Juízo da 2ª Vara de Saquarema pela Promotora de Justiça Gabriela de Aguillar Lima, que requereu a sua prisão preventiva.

A acusação indica que o crime, cometido em Dezembro de 2009, no Município de Saquarema, terá sido motivado "porque a vítima se recusou a isentar o advogado de responsabilidade na participação numa fraude do espólio do milionário português Lúcio Tomé Feteira", companheiro falecido de Rosalina Ribeiro.

Duarte Lima está há vários meses sob investigação sobre a morte de Rosalina da Silva Cardoso Ribeiro, de 74 anos.

Antes do surgimento deste caso, Rosalina não era propriamente uma figura conhecida da sociedade nacional, pelo menos enquanto não se associava o seu nome ao de Lúcio Thomé Feteira, um industrial da zona de Vieira de Leiria que emigrou para o Brasil em meados do século XX e se tornou num dos homens mais ricos do mundo. Foi sua secretária durante décadas e o empresário reconheceu a sua dedicação.

A vida de Rosalina terminou subitamente a 7 de Dezembro de 2009. A mulher saiu do prédio onde morava, na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro, ao princípio da noite, para ir ter com Duarte Lima. Tinha-se queixado a amigas ao longo do dia de que estava "pendurada" à espera do advogado. Supostamente iriam discutir questões relacionadas com o seu património, avaliado em dezenas de milhões de euros, com bens espalhados por Portugal e pelo Brasil. Levava apenas uma bolsa e uma pasta com documentos. Menos de três horas depois, seria abatida a tiro, segundo as perícias médico legais. O corpo foi descoberto a cerca de 90 quilómetros, na Região dos Lagos, com dois tiros no peito e um na cabeça. Tinha todas as jóias, dinheiro e cartões. Faltava apenas a pasta com documentos.

É precisamente os acontecimentos que tiveram lugar durante estas duas horas que, apurou o JN, colocam Duarte Lima no centro deste caso, do ponto de vista da justiça brasileira, uma vez que as explicações fornecidas pelo advogado, por escrito, não terão convencido os investigadores.

Duarte Lima - que tinha chegado dias antes ao Brasil, via Belo Horizonte, e percorrera durante seis horas, ao volante de um carro alugado, a distância até ao Rio de Janeiro - terá dito que esteve num bar com Rosalina até que esta lhe pediu para a transportar até um local ermo, nas imediações do sítio onde foi assassinada. O advogado referiu que a deixou com uma mulher que descreveu e se foi embora por volta das 22 horas. A hora estimada da morte é 22.15 horas.

Esta versão, no entanto, apurou o JN em Setembro do ano passado, não estava a convencer as autoridades brasileiras porque, entre outras razões, este procedimento de Rosalina Ribeiro não se coaduna com a sua conduta normal. Tinha medo de andar na rua e praticamente só saía acompanhada. No mínimo, informava as amigas de cada passo que dava e anotava sempre os encontros na sua agenda. Naquele dia, nem as amigas sabiam, nem foi encontrado qualquer registo, na sua agenda, sobre reuniões.