Polícia

Duarte Lima acusado de matar Rosalina Ribeiro

Duarte Lima acusado de matar Rosalina Ribeiro

Duarte Lima foi acusado pelo Ministério Público brasileiro de matar Rosalina Ribeiro, sua cliente. Matou-a a tiro porque ela se recusou a assinar um documento em que o ilibava do desvio de milhões de euros da herança do multimilionário Lúcio Thomé Feteira.

"O denunciado [acusado] matou a vítima porque ela não quis assinar declaração de que ele não possuía qualquer valor transferido por ela, não satisfazendo os interesses financeiros do denunciado, o que demonstra sua ausência de sensibilidade e depravação moral", refere a acusação de homicídio a que o JN teve parcialmente acesso.

Foi também para não ter que devolver o dinheiro que Duarte Lima, segundo a investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, agora sancionada pela promotora de Justiça Gabriela de Aguillar Lima, assassinou Rosalina Ribeiro, de 74 anos. Não há mais acusados. A promotora quer Duarte Lima na cadeia já e propôs isso mesmo ao juiz do tribunal de Saquarema, a área onde aconteceu o crime. Este magistrado, Ricardo Pinheiro, ainda não se pronunciou sobre a proposta.

Em causa estão 5,250 milhões de euros provenientes de contas conjuntas de Feteira com Rosalina Ribeiro (sua secretária e amante durante cerca de 30 anos). Já foi atestado por um banco suíço que o dinheiro foi ali depositado em contas de Duarte Lima. Este caso (ver página seguinte) é alvo de processos em Portugal.

Em 7 Dezembro de 2009, Rosalina encontrou-se com Duarte Lima no Rio de Janeiro, junto à sua residência, no Flamengo. Tinha planeado regressar a Portugal no dia seguinte, mas adiara a viagem para quatro dias depois, porque tinha assuntos urgentes a discutir com Lima. Este adiamento é um dos factos que as autoridades brasileiras usam para considerar que a morte de Rosalina foi cuidadosamente planeada pelo advogado.

Já na carta rogatória enviada para Portugal -com 193 perguntas a que Duarte Lima nunca respondeu - os brasileiros deixavam clara a sua certeza quanto à culpa do ex-deputado (ver extractos da carta).

A procuradora não duvida, face às provas recolhidas na investigação, que Duarte Lima levou Rosalina num carro alugado até uma estrada secundária de Saquarema, a mais de 100 quilómetros do Rio de Janeiro, e que foi ele a disparar os dois tiros que a mataram, abandonando depois o corpo.

Segundo a acusação, todas as justificações de Lima, envolvendo um misterioso encontro com uma mulher de nome Gisele, que nunca foi encontrada, não passa de pura invenção. Entre as provas invocadas destaca-se o facto de cerca de 24 horas antes do crime Duarte Lima ter estado a menos de cinco quilómetros do local do assassinato, o que é entendido como uma forma de preparação do homicídio.