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Tramado por causa de 5,250 milhões

Tramado por causa de 5,250 milhões

É uma transferência, em 2001, de 5,250 milhões de euros de uma conta de Lúcio Thomé Feteira com Rosalina Ribeiro para Duarte Lima que está na origem da trama que envolve o assassinato da companheira do milionário português.

Aquela verba estava depositada na União de Bancos Suíços e foi transferida para uma conta, no mesmo país, em nome de Duarte Lima. Previa-se a disputa da herança e o principal objectivo seria esconder a fortuna de Olímpia Feteira, filha da Lúcio, interessada em saber que bens o pai deixara. Em litígio com Rosalina, a herdeira apresentou queixas-crime contra a mulher que viveu com o pai nos últimos 30 anos de vida. E foi no âmbito das diligências do Ministério Público e Polícia Judiciária - através das cartas rogatórias para a Suíça - que foi descoberto o desvio das avultadas quantias para o próprio nome de Duarte Lima.

No processo-crime que corre em Portugal, visando, em último caso, a devolução dos 5,250 milhões, Lima foi constituído arguido e apresentou um argumento para as transferências: honorários como advogado. Justificação que não convence Olímpia e que escandaliza juristas, dado não ser conhecido trabalho jurídico que justifique tais quantias. Acresce a tudo isto que, tal como noticiou o JN, enquanto político obrigado a declarar rendimentos, Domingos Duarte Lima nunca evidenciou, na altura própria, ao Tribunal Constitucional o recebimento daquele dinheiro. Depois de ter apresentado esta justificação à Justiça, corrigiu parcialmente as suas declarações de património, alegando lapso.

Esquivo quanto a pormenores do caso, o ex-deputado do PSD escudou-se, em várias ocasiões, no segredo profissional de advogado - principalmente perante a Polícia brasileira. Mas omitiu, até, ter sido dispensado do dever de sigilo pela Ordem.