Justiça

Pinto da Costa explica reunião suspeita em casa com árbitro

Pinto da Costa explica reunião suspeita em casa com árbitro

As razões de um encontro entre Pinto da Costa e o árbitro Augusto Duarte, dois dias antes do jogo Beira Mar-F. C. Porto, de 2004, poderão ser reveladas a partir de terça-feira pelos próprios, no julgamento por corrupção desportiva.

Os dois arguidos, a que se junta o empresário de jogadores António Araújo, enfrentam, amanhã de manhã, uma juíza do Tribunal de Gaia fundamentalmente porque Carolina Salgado declara que Augusto Duarte recebeu um envelope com 2500 euros em notas para beneficiar o clube portista.

A suposta entrega relatada pela ex-companheira do dirigente azul-e-branco aconteceu a 16 de Abril de 2004, na moradia da Madalena, Gaia, onde vivia o casal. E Pinto da Costa sabe que há um dado indesmentível: houve um encontro com Augusto Duarte, intermediado por Araújo, dois dias antes de um jogo que se afigurava importante para o F. C. Porto.

As versões só divergem quanto ao teor do encontro. Enquanto a ex-namorada garante ter havido um acordo de corrupção, Pinto da Costa disse que a conversa foi sobre "nada" e até considerou a visita inoportuna.

Esta versão foi já classificada como não credível por uma juíza do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto. Em concreto, a magistrada não acreditou que, durante a reunião, os três não tenham falado de futebol - um interesse que têm em comum. Além disso, considerou relevante uma contradição nos depoimentos. É que Pinto da Costa disse que a ex-companheira estava doente e acamada, mas Duarte confirmou que foi Carolina quem lhe abriu a porta. Por estas razões, mandou o caso para julgamento. Agora, de acordo com informações recolhidas pelo JN junto de fontes próximas do caso, é possível que Pinto da Costa e Augusto Duarte venham a aprofundar as razões e o teor de tal encontro. Isto porque entendem que, para a sua defesa, pode ser insuficiente desmentir, apenas, o suborno e insistir na alegada falta de credibilidade de Carolina.

Sobre esta alusão, os juízes que têm tocado em casos conexos ao Apito Dourado dividem posições. Uns duvidam da testemunha - por possuir intuitos vingativos -, ao ponto de um juiz do TIC ter mandado instaurar um processo por falso testemunho. Outros conferem-lhe credibilidade, por entenderem que, apesar da inimizade, tal não significa que Carolina esteja a mentir.

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