investigação criminal

José Sócrates detido no Aeroporto de Lisboa por suspeita de fraude fiscal

José Sócrates detido no Aeroporto de Lisboa por suspeita de fraude fiscal

José Sócrates foi detido, sexta-feira à noite, à chegada ao Aeroporto de Lisboa, oriundo de Paris. O ex-primeiro-ministro, de acordo com uma nota da Procuradoria-Geral da República, foi intercetado no âmbito de um processo em que se investigam crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Deverá ser presente, este sábado, ao juiz de instrução criminal tendo passado a noite numa cela do Comando da PSP de Lisboa.

As buscas na investigação a Sócrates decorreram em vários locais, incluindo a casa no edifício Heron Castilho, em Lisboa, e foram em algumas situações acompanhadas pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, num inquérito a cargo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal. Também na sexta-feira, foram efetuadas buscas em empresas do Grupo Lena, de Leiria, em diligências de que resultaram mais três detidos, ainda no dia anterior.

São eles Carlos Santos Silva (empresário e amigo de Sócrates), Gonçalo Ferreira (advogado que trabalha numa empresa de Carlos Santos Silva) e João Perna, motorista. Uma nota da PGR esclareceu as quatro detenções efetuadas no âmbito do processo que teve início numa comunicação bancária para o DCIAP. Inicialmente tinha sido apontada a detenção de Joaquim de Castro (representante em Portugal da Octapharma, a farmacêutica para a qual Sócrates trabalha desde 2013, como consultor para a América Latina).

Na base da investigação - que a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece não ter tido origem no processo Monte Branco - estão operações bancárias e movimentos em dinheiro sem justificação conhecida, alegadamente a favor do ex-líder do PS. Os indícios estarão relacionados com a estadia de Sócrates em Paris, durante um ano, onde frequentou uma pós-graduação em Filosofia.

As suspeitas sobre o ex-governante incidem nos recursos usados para a manutenção de um nível de vida alegadamente desconforme com os rendimentos declarados. Confrontado há meses com as suspeitas, Sócrates explicou que viveu com ajuda de um empréstimo da Caixa Geral de Depósitos e que apenas é titular de uma única conta nessa entidade.

O Grupo Lena, em comunicado, confirmou as buscas das autoridades, esclarecendo, porém, que nada têm a ver com a sua atividade empresarial e que não foi detido qualquer responsável.

O grupo de Leiria firmou um protocolo com o Governo da Venezuela, em 2008, com objetivo de fornecer àquele país 50 mil casas pré-fabricadas. Foi "um dos maiores projetos de sempre de um grupo empresarial português no estrangeiro", como anunciou então a empresa, mas também um dos símbolos mais fortes da diplomacia económica dos governos de Sócrates.

Já na sexta-feira decorreram os interrogatórios para aplicação de medidas de coação aos três outros detidos, no Tribunal Central de Instrução Criminal. José Sócrates passou a noite numa cela no Comando da PSP de Lisboa e deverá ser interrogado, este sábado, também para aplicação de medidas coativas.

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