Justiça

Reações políticas cautelosas à detenção de Sócrates

Reações políticas cautelosas à detenção de Sócrates

Leia as principais reações que foram sendo conhecidas ao longo deste sábado, desde que foi revelada a detenção de José Sócrates e a sua chegada ao Campus da Justiça, para ser interrogado no Tribunal de Instrução Criminal.

A meio da manhã, Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, partido que está reunido em Convenção em Lisboa, recusou comentar a detenção de Sócrates, dizendo que é uma investigação que cabe às autoridades judiciárias: "À política o que é da política, à justiça o que é da justiça", afirmou.

O novo secretário-geral dos socialistas, António Costa, afirmou no sábado, a propósito da detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que o PS não adota a prática estalinista de eliminação de fotografias e assume toda a sua história. "O PS é um partido que não adota as más práticas estalinistas de eliminação da fotografia deste ou daquele. O PS assume toda a sua história, dos bons e dos maus momentos", declarou. Costa manifestou solidariedade para com Sócrates, não quis comentar a atuação das autoridades judiciais neste caso e, face à insistência dos jornalistas neste assunto, respondeu que "o PS existe há 41 anos, e existirá por muitos mais anos, e tem uma agenda própria que transcende a agenda mediática do dia de hoje: é a agenda de construção de uma alternativa política para o país".

Perto do meio-dia, a RTP revelou que suspendeu o espaço de comentário que Sócrates tinha aos domingos no Canal 1.

Por volta da mesma hora, o ex-líder do BE, Francisco Louçã, à entrada para a Convenção do partido, recusou fazer juízos "precipitados" sobre a detenção do ex-primeiro-ministro. Louçã admitiu que este caso "terá um efeito no país inteiro", mas ressalvou que é preciso "prudência", que "só há casos julgados quando eles terminam" e que, quanto às questões políticas, "são de outra natureza" e só poderão ser avaliadas depois. Por fim, considerou que Portugal precisa de uma justiça "mais bem preparada" e com "mais meios" para combater "processos de extrema complexidade" como "o branqueamento de capitais, a corrupção e criminalidade dos bancos".

O vice-presidente e coordenador do PSD, Marco António Costa, disse, ao início da tarde, na Maia, que o partido não irá fazer "qualquer comentário político" sobre a detenção de José Sócrates por se tratar de um "tema de justiça", acrescentando que se deve aguardar "serenamente que as instituições judiciais prestem os esclarecimentos que julguem convenientes em função do desenrolar dos acontecimentos".

O líder da CGTP, Arménio Carlos, à margem de uma marcha no Porto, defendeu ser necessário "aguardar que a justiça funcione rapidamente".

À margem de um comício em Albergaria-a-Velha, o secretário-geral do PCP, Jerónimo Sousa, disse não querer comentar a detenção do ex-primeiro-ministro, afirmando que deve haver "o apuramento de toda a verdade, o funcionamento da investigação e da Justiça e não apressar julgamentos ou condenações", acrescentando que "que ninguém está cima da Lei".

O CDS-PP, numa nota enviada à Lusa pelo vice-presidente do partido Nuno Magalhães, sublinha que respeita a separação de poderes e a independência da justiça e por isso não fará comentários sobre "investigações em curso no sistema judicial".

Também o ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa, que está na Mealhada, numa celebração dos 40 anos do partido, remeteu uma apreciação política e jurídica da detenção do ex-primeiro ministro para o seu espaço de comentário na TVI, no domingo, mas disse que, nalguns casos, a "solidez dos factos" pode justificar uma decisão desta natureza. No entanto, ressalvou que "para compreender o alcance jurídico deste caso", será preciso "ter o resultado do interrogatório e da decisão do juiz, que pode demorar mais ou menos tempo".

Por sua vez, o provedor da Santa Casa da Misericórdia, Pedro Santana Lopes, considerou este sábado que a detenção do ex-primeiro ministro José Sócrates um facto "triste para Portugal" e que levanta questões quanto ao "ponto a que o Estado chegou". "Aqui, pelo que a Procuradoria-Geral da República divulgou, estarão em causa atos pessoais no exercício de funções públicas, ou não, isso agora cabe à justiça tratar, mas eu penso que nos sentimos todos, naturalmente, eu diria, acabrunhados, tristes, é a melhor palavra, por aquilo que está a acontecer em Portugal". Santana Lopes espera "que se faça justiça, pelas pessoas, por Portugal, pelos portugueses".

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