Justiça

Sócrates afirma que processo é "construção elaborada, mas absolutamente delirante"

Sócrates afirma que processo é "construção elaborada, mas absolutamente delirante"

José Sócrates afirmou, em entrevista escrita à TVI, que nunca foi confrontado com factos ou provas, no processo que o levou a ser preso preventivamente.

O ex-primeiro-ministro garantiu que, apesar da insistência, ninguém lhe disse "quando e como" foi corrompido, nem sequer "em que país do Mundo essa corrupção aconteceu". O político diz que Carlos Santos Silva lhe emprestou dinheiro, mas que não deixará de lhe pagar.

Num extenso texto em que responde a seis perguntas da estação de televisão, Sócrates reafirma a inocência e garante que o processo "é uma caixinha de presunções", uma "construção elaborada, mas absolutamente delirante". A partir da prisão de Évora, escreveu à TVI dizendo que a hipótese de corrupção é meramente "teórica".

Desta forma, a prisão preventiva serviu, segundo Sócrates, para provar "aos olhos da opinião pública" que era culpado. "À prisão física sempre quiseram somar, em certo sentido, a prisão na opinião pública", escreve.

Amigo Santos Silva

"Nunca o meu motorista foi a Paris. Nunca o meu carro foi além de Espanha", garante sobre as alegadas malas de dinheiro enviadas para França, afirmando que passou por momentos de alguma dificuldade financeira e que foi ajudado por Carlos Santos Silva. Sócrates sublinha que pretende saldar essa dívida.

"Sendo meu amigo, esteve disponível para me ajudar quando precisei", disse o ex-primeiro-ministro, garantindo que os empréstimos não transformam o dinheiro de Santos Silva em dinheiro de Sócrates.

Sobre o apartamento de Paris, José Sócrates desmonta a tese de que é proprietário do apartamento de luxo e reafirma que aproveitou o empréstimo de Carlos Santos Silva até ao início das obras de restauro que o imóvel necessitava.

Legítima defesa

Numa nota introdutória às seis respostas que deu à televisão, o ex-primeiro-ministro afirmou que esta entrevista é dada "em legítima defesa", contra a "sistemática e criminosa" quebra do segredo de justiça.

O antigo governante afirma ainda que responsabiliza "os que tendo o processo à sua guarda, não o guardaram como deviam" e ataca "os jornais do costume".

Sócrates frisou também que o segredo de justiça "apenas foi imposto à defesa". "Sei que quiseram inibir-me de falar", acentuou, acrescentando que a prisão preventiva é "uma infâmia".

O processo está então a "um pequeno passo" de poder ser considerado como "perseguição política", afirma a dada altura na entrevista.

Fica ainda uma promessa: "não deixarei nenhuma pergunta assim, a pairar no ar acrescentando dúvidas sem obter a devida resposta".

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