Justiça

Elite da Polícia Marítima ataca "alta violência"

Elite da Polícia Marítima ataca "alta violência"

JN acompanhou o GAT, a força especial que travou um motim a bordo de um navio turco. Líderes de equipa são eleitos antes de cada missão.

A mais de 45 nós (84 km/h), a lancha semirrígida negra embica na direção do costado do navio. Para quem assiste, parece que o choque será inevitável, mas numa rápida manobra a embarcação do Grupo de Ações Táticas (GAT) da Polícia Marítima encosta suavemente ao casco. Em segundos, oito homens armados e de rostos escondidos trepam e tomam conta do convés. Porque cada segundo conta, quando há reféns em perigo de vida, traficantes de droga ou terroristas fortemente armados e dispostos a matar.

Se a crise acontece no mar, o GAT é a unidade de polícia chamada a intervir. No Tejo, frente a Lisboa, o JN assistiu a um treino desta força especial. Ainda há menos de um mês [ver texto na página seguinte] tomou de assalto um navio turco, pondo fim a um motim. "É um cenário semelhante", explica o agente José, identificado apenas com este nome porque o risco das missões obriga a esconder mais elementos da sua identidade.

Todas as intervenções são preparadas ao detalhe. Primeiro, está a recolha de informação. "É essencial sabermos qual a tripulação e o tipo de navio". No caso da tripulação turca, bastava a nacionalidade para tornar tudo mais sério, dado o contexto atual daquele país. "Temos de saber sempre o cenário que podemos vir a enfrentar". Depois, o navio é elemento também essencial. A abordagem é feita em andamento e pormenores como configuração do interior e exterior do mesmo ou, simplesmente, a altura do casco podem ser determinantes para o sucesso da operação e para ajudar a salvar vidas.

Uma escada em titânio é içada da lancha do GAT e presa à amurada. Os homens de uniforme negro trepam rapidamente e colocam-se em posições predeterminadas. Depois, é avançar, num verdadeiro labirinto em que cada esquina é um local de eleição para emboscada. Naquele espaço confinado e hostil, colaboração e confiança são tudo.

Daí que, por exemplo, os chefes das equipas sejam "eleitos" antes das missões, um opção democrática nada comum entre forças policiais ou militares. "Escolhemos entre nós quem vai ser o número um e o número dois. É uma questão de confiança", aponta José. "Aqui, não interessa quem é o mais antigo".

Ali, também já nem sequer é regra obrigatória no recrutamento ter cumprido o serviço militar, da Marinha ou de outra força. "Alguns passaram pelos fuzileiros, outros pelos paraquedistas, outros pelas operações especiais. Até há um que era civil", explica José. O critério é o da eficácia. "O GAT é uma força de elite que está preparada para as mais variadas missões e em cenários de alta violência e intensidade", diz o diretor-geral da Autoridade Marítima Nacional, o vice-almirante Silva Ribeiro.

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