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Empresa de motorista preso na Grécia queixa-se de falta de apoio da embaixada

Empresa de motorista preso na Grécia queixa-se de falta de apoio da embaixada

"O apoio da Embaixada Portuguesa na Grécia não serviu os interesses do nosso cidadão português", protesta Filipe Leite, sócio-gerente do Grupo Macore e patrão de Luís Marques, o camionista preso na Grécia, a 10 de janeiro, por transportar imigrantes ilegais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) refuta todas as acusações e garante que "a Embaixada de Portugal em Atenas está a cumprir escrupulosamente aquilo que lhe compete".

O empresário de Cabeceiras de Basto descreveu, ao JN, um conjunto de dificuldades para assegurar a defesa e bem-estar do camionista, desde que este foi detido junto ao Porto de Patras, por transportar três afegãos e um iraniano.

Desde logo, Filipe Leite aponta a falta de resposta aos contactos para encontrar um advogado grego que acompanhasse o camionista ao tribunal. "Quando foi detido, procuramos o nosso sindicato, mas deram-nos o número de um associado que era grego e não percebemos nada. Ligámos para a Embaixada a pedir contactos para um advogado e nada. Deram-nos um número que ninguém atendia. Ligamos outra vez à Embaixada e também deixaram de atender", conta o empresário, que diz ter sido obrigado a recorrer à internet para procurar um profissional.

Já sobre a audiência em tribunal, no dia após a detenção [11 de janeiro], Filipe Leite aponta críticas à falta de um tradutor português, que acredita ter limitado a defesa do motorista. Os problemas terão continuado nos dias seguintes, no Porto de Patras, onde Luís Marques esteve detido alguns dias, enquanto não foi transferido para uma cadeia para cumprir a prisão preventiva.

"Quando lhe ligamos, na quarta-feira [dia 13 de janeiro], ele disse que estava cheio de fome e frio. Para chegar comida e um cobertor ao Porto de Patras, foi preciso ligar para a Embaixada num tom de voz agressivo. Eram as únicas pessoas que podiam ajudar", relata o patrão, frisando que a reposição da medicação do camionista, nessa altura, foi garantida pelo advogado grego.

O MNE tem outra versão. Diz ter remetido à Macore "o contacto telefónico da ordem de advogados em Patras, que providencia uma lista de advogados disponíveis". "No caso concreto o cidadão nacional contratou de imediato dois advogados, um em Portugal e outro na Grécia", acrescenta.

Sobre as condições no Porto de Patras, o Governo defende que, estando o motorista detido à guarda das autoridades gregas, "compete às mesmas garantir condições condignas de detenção, entre outras, alimentação, higiene pessoal e medicação".

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Milhares de euros de prejuízo

Logo depois da transferência de Luís Marques para a cadeia de Amfissa, a empresa perdeu o contacto com o funcionário e com a Embaixada. "Só sabemos as coisas pelo advogado grego e pela família", lamenta Filipe Leite, sublinhando que é o grupo empresarial, de pequena dimensão, que está a assegurar todas as despesas com o processo, num prejuízo que pode chegar "aos 50 mil euros", estima. O valor inclui as perdas que a empresa está a ter por causa do camião se manter retido na Grécia.

"Desde o dia 10 que temos feito o que está ao nosso alcance", assegura Filipe Leite, sublinhando que mantém o salário do camionista, por acreditar que este "está inocente".

Neste contexto, o empresário não viu com bons olhos a ideia de uma caução proposta pelo Ministério Público grego, que poderá libertar Luís Marques enquanto aguarda julgamento. "Se a defesa está pronta, porque é que não é julgado já? Para quê uma caução? É dinheiro que está em causa?", questiona o empresário, assegurando que todos os documentos exigidos pela justiça grega já foram enviados.

Embaixada garante diálogo

Ao JN, o MNE diz estar a aguardar a conclusão do processo judicial. No entanto, garante que está em constante diálogo com o camionista, a família e os advogados.

"Sempre que necessário, independentemente de ocorrer em dia útil, feriado ou fim-de-semana e em qualquer horário, os serviços consulares têm estado em contacto com a família do cidadão nacional. Em média, os serviços consulares contactam com a senhora Lúcia Moura, sua mulher, duas vezes por semana", atesta o Governo, asseverando que os mesmos serviços "garantiram, junto da assistente social, em Amfissa, que a medicação não fosse interrompida".

Além disto, responsabilizaram-se por entregar "os valores monetários" enviados pela família, garantiram chamadas por videoconferência com a mesma, e os próprios representantes da Embaixada "visitaram o detido quando foi transferido de Patras para Atenas"."Em Amfissa, a cerca de 250 quilómetros de Atenas, não eram permitidas visitas, dada a situação pandémica vivida na Grécia", explica o MNE.

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