Lisboa

Espião acusado de vender segredos de Estado começou a ser julgado

Espião acusado de vender segredos de Estado começou a ser julgado

A primeira audiência do funcionário do Serviço de Informações de Segurança (SIS) acusado de espionagem e outros crimes começou esta quinta-feira, sem declarações do arguido.

Frederico Carvalhão Gil chegou pelas 09.30 horas ao Campus da Justiça, em Lisboa, acompanhado do advogado, José Preto, que não quiseram falar à imprensa, seguindo diretamente para a sala de audiências.

Carvalhão Gil remeteu-se ao silêncio nesta primeira sessão de julgamento.

Fonte ligada ao processo explicou que a audiência foi curta porque estava prevista a audição de dois inspetores da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da PJ que não compareceram.

As próximas sessões de julgamento estão marcadas para os dias 29 e 30 deste mês.

O arguido é acusado de espionagem, violação de segredo de Estado e corrupção ativa e passiva agravados, juntamente com um funcionário do Serviço Externo da Federação Russa (SVR).

Os dois ter-se-ão encontrado pelo menos três vezes e o português terá vendido informações cobertas por segredo de Estado às quais tinha acesso pelo seu trabalho no SIS.

Segundo o Ministério Público, na posse do oficial do SVR foi encontrado e apreendido um documento manuscrito que lhe havia sido entregue pelo funcionário do SIS, contendo informação que foi considerada protegida pelo segredo de Estado.

Ao funcionário do SIS foram apreendidos diversos documentos e objetos, bem como a quantia de 10 mil euros, verba que lhe havia sido entregue pelo oficial do SVR, como contrapartida das informações que indevidamente tinha recebido, segundo a acusação.

Em relação ao oficial da SVR, o tribunal competente para a decisão de cumprimento do MDE - a Corte Di Appello Di Roma - recusou a entrega do detido às autoridades portuguesas em 14 de julho de 2016, libertando-o depois, o que lhe permitiu regressar ao seu país, desconhecendo-se o seu atual paradeiro.