Reação às buscas

"Estou tranquilo com tudo aquilo que conheço", diz Medina

"Estou tranquilo com tudo aquilo que conheço", diz Medina

O presidente da Câmara de Lisboa já reagiu às buscas efetuadas esta terça-feira pela PJ na autarquia, garantindo estar "tranquilo" com tudo aquilo que sabe e reafirmando a confiança nas pessoas com quem trabalhou.

Em declarações aos jornalistas ao final da tarde, Fernando Medina assegurou que a Câmara "está a colaborar de forma ativa e clara com as autoridades", sendo a "principal interessada" em que "tudo se esclareça" o mais rápido possível.

Segundo confirmou o autarca, as buscas estão associadas a oito processos das áreas de urbanismo e obras, "alguns deles com vários anos, de 2016 e 2017".

Na lista de obras investigadas estão o "Hospital da Luz, Torre da Avenida Fontes Pereira de Melo, Petrogal, Plano de Pormenor da Matinha, Praça das Flores, Operação Integrada de Entrecampos, Edifício Continente, Twin Towers, Convento do Beato". Já as empreitadas são a "Segunda Circular [cancelada pela autarquia], São Pedro de Alcântara e Piscina Penha de França".

Rejeitando associar as investigações a qualquer tipo de "ataque político", Medina recordou ainda que a autarquia de Lisboa "é das instituições mais escrutinadas do país". "É permanentemente auscultada, vigiada, estamos sujeitos a auditorias", sublinhou, frisando que a câmara "é uma entidade idónea" e apoiará as investigações.

Na tarde desta terça-feira, a PJ confirmou que estão em causa, no âmbito da "Operação Olissipus", "suspeitas da prática de crimes cometidos no exercício de funções públicas, relacionados com a área do urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente, abuso de poder, participação económica em negócio, corrupção, prevaricação, violação de regras urbanísticas e tráfico de influências".

PUB

Os oito processos em questão "correspondem a operações durante o trabalho do vereador Manuel Salgado", confirmou Medina, frisando, contudo, que "ninguém foi constituído arguido". "Reafirmo a confiança nas pessoas que aqui trabalharam e não tenho nenhum elemento que me leve a pensar o contrário", concluiu.

O ex-comissário europeu Carlos Moedas, candidato à Câmara de Lisboa por uma coligação entre o PSD e o CDS/PP, também já reagiu, defendendo que "o sistema não deve funcionar de forma pouco transparente, com base em favores e amiguismos".

"Não são apenas os comportamentos do ex-Primeiro-Ministro José Sócrates que corroem o funcionamento da democracia. A suspeita em volta da atuação política na CML também corrói e, a confirmar-se, revela uma forma de governar a Cidade que considero absolutamente inaceitável", destacou, em comunicado, acrescentando que as dúvidas "minam a confiança dos cidadãos e dificultam as mudanças necessárias de comportamento e cultura política".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG