Resende

Ex-comandante dos Bombeiros de Resende julgado por 83 crimes sexuais

Ex-comandante dos Bombeiros de Resende julgado por 83 crimes sexuais

O antigo comandante dos Bombeiros Voluntários de Resende José Ângelo está a responder, no Tribunal de Viseu, por 83 crimes de abuso sexual de duas jovens deficientes. Os abusos terão ocorrido quando o homem, de 52 anos, era coordenador dos assistentes operacionais de uma escola do concelho.

Os crimes são posteriores ao tempo em que esteve à frente do comando dos voluntários de Resende. Após a detenção por parte da Polícia Judiciária, o indivíduo foi afastado de funções no estabelecimento de ensino.

José Ângelo foi ouvido na primeira sessão do julgamento, que continua esta tarde com a audição de testemunhas. De acordo com o Ministério Público (MP), o arguido conheceu as vítimas na escola, onde ambas frequentaram o ensino especial, em anos diferentes, e foi no estabelecimento de ensino que foram abusadas sexualmente.

Uma das jovens foi abusada 79 vezes. Tinha 14 anos quando o auxiliar começou a aproveitar as suas funções para se aproximar dela. Na altura, estava no 8º ano de escolaridade. Grande parte dos abusos terá ocorrido numa arrecadação de produtos de limpeza.

A vítima recebia instruções para se encontrar sozinha com o suspeito. O homem trancava a porta e, depois dos abusos, dizia à estudante que se alguém a questionasse por chegar atrasada às aulas, tinha que dizer que tinha ido à casa de banho ou ao cacifo.

Em outubro de 2020, quando a jovem passou a frequentar um curso de formação num outro estabelecimento de ensino, o arguido começou a ir buscá-la à porta da nova escola de carro. Abusou dela pelo menos três vezes na garagem da sua habitação.

Segundo o MP, após os atos sexuais, e para agradar à vítima, o antigo comandante dos Bombeiros dava-lhe chocolates, barras de cereais e bolachas.

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O mesmo terá acontecido com a segunda aluna, de 16 anos, que, no ano letivo2020/2021, frequentava um curso de formação profissional na escola onde o arguido trabalhava.

Além das prendas, como doces e dinheiro, José Ângelo terá ameaçado a estudante, para garantir que nunca o denunciaria.

Os abusos terão acontecido entre o verão de 2020 e janeiro deste ano, sempre às segundas-feiras, depois da hora de almoço. O arguido agarrou a menor pelo braço e levou-a para a arrecadação, onde abusou dela pelo menos três vezes.

A acusação não tem dúvidas de que o arguido tinha noção da idade das vítimas e que, por via dos défices cognitivos de que padeciam, estavam impedidas de exprimir a sua vontade em termos de sexualidade e de resistirem aos avanços do homem.

Os dois casos foram comunicados ao MP em janeiro de 2021. Após ser ouvido em tribunal, ficou obrigado a apresentações às autoridades e proibido de contactar com menores.

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