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Ex-diretor-geral da Doyen chegou a duvidar que Rui Pinto fosse real

Ex-diretor-geral da Doyen chegou a duvidar que Rui Pinto fosse real

O diretor-geral da Doyen Sports entre 2011 e 2017, Nélio Lucas, admitiu esta quarta-feira, em tribunal, que, em outubro de 2015, chegou a acreditar que a pessoa que o estaria a tentar extorquir era, afinal, Aníbal Pinto. O Ministério Público (MP) sustenta que o advogado intermediou a alegada tentativa de extorsão iniciada por Rui Pinto, que então se apresentaria como Artem Lubozov.

"Eu fiquei na dúvida se existia um Artem Lubozov", desabafou o empresário, ao recordar o encontro que teve com Aníbal Pinto, na área de serviço da A5 de Oeiras, para, alegadamente, acertar os detalhes da transação.

Em causa está o facto de, inicialmente, Lubozov ter exigido entre 500 mil e um milhão de euros para parar a publicação de documentação relacionada com a Doyen Sports no site Football Leaks - do qual Rui Pinto é o criador assumido -e, nessa reunião, Aníbal Pinto ter por sua vez, segundo a testemunha, afirmado que conseguiria baixar esse montante para 250 mil euros. Na ocasião, o causídico terá ainda exigido 300 mil euros em honorários, pagos pelo fundo de investimento.

Aníbal Pinto está acusado de ter praticado, em coautoria com Rui Pinto, um crime de extorsão na forma tentada. Na primeira sessão do julgamento, a 4 de setembro de 2020, o advogado rejeitou a imputação, alegando que pensou que estava apenas a negociar um contrato de trabalho entre o seu cliente e o fundo de investimento.

Esta quarta-feira, Nélio Lucas negou que alguma vez tenha tentado contratar Rui Pinto, mas reconheceu que foi mantendo as conversações com Artem Lubozov para "ganhar tempo" e "perceber quem era a pessoa que estava do outro lado". Paralelamente, também Aníbal Pinto terá continuado a falar com Pedro Henriques, à data assistente do ex-diretor-geral da Doyen Sports e advogado de profissão.

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"Nunca tivemos intenção de pagar", sublinhou Nélio Lucas, ao depor no julgamento que decorre em Lisboa. Na reunião, vigiada pela Polícia Judiciária após o empresário ter expresso receio pela sua segurança, estiveram presentes Lucas, Aníbal Pinto e Henriques.

As publicações no Football Leaks terão sido retomadas, em novembro de 2015, após a negociação ter fracassado.

Além do crime de tentativa de extorsão, Rui Pinto responde ainda por 89 crimes informáticos, contra cinco entidades. Na primeira sessão do julgamento, o hacker definiu-se como "whistleblower" (denunciante) e alegou que tudo o que fez foi por "um bem maior".

A inquirição de Lucas começou esta quarta-feira e continua na próxima sessão, na quinta-feira.

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