Tribunal de Beja

Ex-número dois da GNR de Milfontes não identifica guardas acusados de agredir imigrantes

Ex-número dois da GNR de Milfontes não identifica guardas acusados de agredir imigrantes

O antigo comandante do posto da GNR Vila Nova de Milfontes, sargento Luís Robles, vai fazer novo depoimento, esta segunda-feira à tarde, depois do testemunho contraditório que foi feito pelo seu adjunto de então, que levou à extração de uma certidão por falsas declarações. A chamada de Luís Robles foi tomada no início da segunda sessão do julgamento dos sete militares da GNR do posto de Vila Nova de Milfontes acusados de maus-tratos contra cidadãos indostânicos, esta segunda-feira de manhã, no Tribunal de Beja.

Considerando que o segundo sargento Rúben Pereira estava a mentir, face às declarações prestadas à Polícia Judiciária em fase de inquérito, o procurador do Ministério Público (MP) de Beja mandou extrair a certidão para punir a testemunha por um depoimento diferente do anterior.

No início da audição, o militar mostrou-se agastado com os arguidos, ou parte deles, mas depois de ver um vídeo e identificar os três militares que davam reguadas nas vítimas, não identificou os restantes envolvidos em outras filmagens.

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Rúben Pereira questionou as razões porque era extraída tal certidão, o que levou o presidente do coletivo de Juízes a criticar o seu comportamento. "Ou o senhor se quis bajular perante a Polícia Judiciária, ou aqui está a tomar as dores da Guarda, mostrando-se de início zangado com os arguidos", afirmou o magistrado.

Depois de extraída a certidão, a testemunha ainda respondeu a algumas perguntas dos advogados de defesa, acabando por já não ser inquirida pelo procurador do MP nem pelos três juízes do coletivo, acabando por ser dispensado.

Recorde-se que, na primeira sessão do julgamento, o comandante do posto de Vila Nova de Milfontes começou por não reconhecer os arguidos envolvidos nas agressões às vítimas, mas em função de um pedido de extração de uma certidão por parte do Procurador por falsas declarações, acabou por alterar o seu depoimento e identificou todos os envolvidos, o que levou a que não fosse alvo dos objetivos do MP.

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