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Ex-oficial de ligação aos adeptos implica ex-diretor do Sporting no caso Alcochete

Ex-oficial de ligação aos adeptos implica ex-diretor do Sporting no caso Alcochete

O ex-Oficial de Ligação aos Adeptos do Sporting Bruno Jacinto disse, esta segunda-feira, em tribunal, que informou o ex-diretor desportivo André Geraldes da visita da "Juve Leo" à Academia de Alcochete.

Bruno Jacinto, o único dos 44 arguidos a prestar declarações ao tribunal, garante que informou o ex-diretor desportivo do Sporting André Geraldes, da visita de elementos da Juve Leo à Academia, em maio de 2018, marcada por agressões a vários jogadores.

A investigação não conseguiu encontrar vestígios dessa conversa, alegadamente ocorrida através do Watsapp, no telemóvel de André Geraldes, razão que o leva a estar afastado do banco dos réus.

Esta segunda-feira, Bruno Jacinto disse ao tribunal que pensava que a ida dos adeptos da Juve Leo seria pacífica, à semelhança de outras anteriores. "Houve já quatro ou cinco visitas aos jogadores. Os adeptos pediam à entrada para falar com os atletas e treinadores e normalmente o contacto era facultado", recordou.

Confrontado em tribunal, Bruno Jacinto recusou-se a responder sobre troca de mensagens alusivas aos confrontos na Academia. A juiza perguntou porque é que respondeu com "mai nada" a um elemento da Juve Leo que lhe disse, por WhatsApp, que os jogadores iam ser bem malhados, se não sabia que ia haver agressões.

De tarde, é expectável que Bruno Jacinto fale sobre as mensagens que trocou no WhatsApp, que levam o MP a acreditar que sabia que ia haver agressões. Esta garantia foi dada ao JN pelo advogado do arguido, Paulo Camoesas, depois de Jacinto ter dito à juiza que não queria falar sobre este assunto durante o julgamento, que decorre sob fortes medidas de segurança.

Antes do ataque, Bruno Jacinto negou a um "spotter" da PSP ter conhecimento da ida de adeptos à Academia. Quando confrontado com a informação de que tinha sido informado um dia antes, disse que "não era relevante". O antigo Oficial de Ligação aos Adeptos justificou ao tribunal que pensava tratar-se de um encontro pacífico entre claque e jogadores e não era necessária a PSP ser informada.

Ministério Público acredita que Bruno de Carvalho instigou clima de animosidade

O coletivo de juízes do Tribunal de Almada vai ouvir ao longo desta semana os 44 arguidos, de entre os quais o ex-presidente Bruno de Carvalho, e o ex-Oficial de Ligação aos Adeptos Bruno Jacinto e o ex-líder da Juve Leo, Nuno Mendes, tidos como autores morais do ataque à Academia.

O Ministério Público acredita que o ex-presidente do Sporting instigou um clima de animosidade entre os adeptos, a claque Juve Leo e os jogadores, nomeadamente Acuña, Rui Patrício e William Carvalho, e deu o aval ao ataque à Academia numa reunião com elementos da claque quando disse "façam o que quiserem".

No debate instrutório, Bruno de Carvalho defendeu que essa expressão foi descontextualizada pelo MP e que apenas a disse em relação à entrada de tarjas no estádio.

Os crimes imputados aos arguidos, sequestro, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada e introdução em lugar vedado ao público são agravados pelo crime terrorismo, com pena de dois a dez anos de prisão.

O julgamento deveria decorrer no Tribunal de Almada, mas por questões de logística, os juízes decidiram transferir as audiências para o Tribunal de Monsanto, em Lisboa.