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Ex-presidente da AIMinho nega crimes e diz que acusação "é uma falsidade"

Ex-presidente da AIMinho nega crimes e diz que acusação "é uma falsidade"

O empresário António Marques, ex-presidente da extinta Associação Industrial do Minho, considerou, esta segunda-feira, perante o Tribunal de Braga, que a acusação que sobre ele impende "é uma epifania e uma falsidade".

O gestor, que está acusado da prática de 75 crimes, começou a responder ao Tribunal, mais especificamente sobre uma empresa de que foi sócio, a Yeastwine - Wine Solutions, Lda, do setor vinícola. Neste caso, está acusado de fraude na obtenção de subsídio.

A acusação diz que para criar a convicção de seriedade do projeto da empresa, António Marques utilizou, por um lado o conhecimento técnico da também arguida Isabel Araújo, mas também "a credibilidade académica da Universidade do Minho", através de um protocolo com os departamentos de Biologia e de Engenharia Biológica de 55 300 euros.

A Yeastwine apresentou, então, uma candidatura a apoios europeus, que obteve um incentivo de 247 mil euros, correspondendo à taxa de 74,03% de comparticipação. Para tal, "fez uso do chapéu institucional e do crédito académico" da UMinho.

A investigação concluiu que os professores José Teixeira e Margarida Casal, o primeiro a chefiar o departamento de Engenharia Biológica e a segunda o de Biologia, não efetuaram qualquer trabalho para o projeto, tendo recebido parte das verbas e permitiram que a Yeastwine retirasse material dos laboratórios. E terão ainda violado as regras internas de faturação.

Confrontado com o teor da acusação, António Marques refutou que tenha havido qualquer apreensão indevida de fundos europeus e disse que a firma foi criada para fazer investigação na área das leveduras, dirigida às empresas do ramo vinícola. Justificou o acordo com os departamentos da UMinho com o facto de estarem a produzir investigação sobre a matéria, a qual iria ser vertida numa plataforma própria para ser usada por empresas do ramo.

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Negou ter havido "descaminho" de verbas e ter pressionado os gestores dos programas comunitários, conforme transparece de uma escuta telefónica, dizendo que "é absolutamente normal" falar com responsáveis sobre os projetos apresentados, sem que isso signifique qualquer vantagem indevida.

No julgamento, que hoje começou a fase de produção de prova, António Marques responde por, alegadamente, ser o mentor de uma fraude de 9,7 milhões de euros. O processo conta com 122 arguidos, designadamente 79 pessoas singulares e 43 empresas.

Conforme o JN noticiou, o ex-líder da AIMinho contestou a acusação dizendo que não cometeu crimes, nem liderou nenhum grupo organizado para defraudar o Estado ou os fundos comunitários.

Promete que irá dar explicações ponto por ponto sobre o teor da acusação e afirma, na contestação, assinada pelo advogado António Ferreira de Cima, que "todos os projetos de investimento financiados por fundos europeus foram executados".

Em 2018 negou, ainda, ao JN, ter desviado quaisquer verbas para proveito pessoal.

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