Acusação

Ex-pugilista terá matado companheira à pancada

Ex-pugilista terá matado companheira à pancada

Movido por ciúmes e sem aceitar o fim do namoro marcado por violência doméstica, Cláudio Quintas matou a ex companheira Vera Silva à pancada em Almada no início do ano. O Ministério Público acusa agora o ex-pugilista e empresário da construção civil de violência doméstica agravada, violação de domicílio agravado e homicídio qualificado.

O crime ocorreu no dia onze de janeiro no Bairro Cor de Rosa, no Pragal. Vera Silva, empresária de 30 anos, foi surpreendida pelo ex companheiro em casa. Cláudio não aceitava o fim do relacionamento de cerca de três anos e, quando soube que Vera tinha um novo namorado, dirigiu-se à sua casa com o propósito de a matar. O homem arrombou a porta e, de acordo com o Ministério Público, atacou a vítima com murros e pontapés nas pernas, tronco e face, atirando-a contra as paredes, móveis e eletrodomésticos. O arguido desferiu-lhe ainda pancadas na cabeça, deixando-a inanimada na sala e a sangrar profundamente, abandonando de seguida o local. Vera cambaleou para o hall do prédio, onde foi socorrida e depois transportada para o Hospital Garcia de Orta, onde viria a falecer por falência do baço.

A Polícia Judiciária de Setúbal desconfiou do ex-companheiro logo num primeiro momento, mas as provas que possuía não eram suficientes para o deter. O sinal do telemóvel da vítima e do suspeito foram detetados pela mesma antena, mas os dois eram vizinhos, e o ADN do homem foi encontrado na casa de Vera, mas este já tinha vivido no espaço. Meses depois, após chegarem os resultados de exames periciais realizados ao corpo da vítima e que permitiram identificar o ADN de Cláudio nas unhas de Vera, a PJ avançou para a detenção do ex-pugilista, o que aconteceu em maio. O arguido encontra-se atualmente em prisão preventiva.

O MP acredita que durante o namoro entre agressor e vítima, o arguido insultava-a, agredia-a com chapadas e pontapés e agarrava-a pelo pescoço, deixando-a normalmente com equimoses e marcas visíveis. Cláudio ameaçava-a ainda, dizendo que lhe faria mal aos seus dois filhos e ex-marido. Tal conduta levou Vera a avançar em 2017 com uma queixa de violência doméstica contra o então companheiro.

Mesmo depois de terminada a relação, acredita o MP, o arguido manteve sentimentos de ciúmes e de posse relativamente à vítima, continuando a controlar os seus passos, fazendo-lhe esperas à porta, mesmo contra a vontade desta, entrando na sua residência, telefonando-lhe com frequência, não aceitando o fim da relação.

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