Bairro dos Anjos

Ex-treinador de natação diz estar a ser alvo de ameaças e processa direção do clube

Ex-treinador de natação diz estar a ser alvo de ameaças e processa direção do clube

João Paulo Fróis, coordenador de natação de competição do Bairro dos Anjos (BA), em Leiria, instaurou um processo criminal contra a direção do clube, por alegadamente ter dito aos pais dos jovens praticantes de natação que estava impedido de contactar com crianças. Desde que se tornou pública uma praxe, durante uma competição internacional, contestada por um dos adolescentes, o treinador diz que tem sido alvo de ameaças.

"Em reunião realizada no dia 2 de setembro, os membros da direção do BA, para justificarem junto dos pais dos atletas a ausência do signatário [João Paulo Fróis] no início do ano desportivo, declararam falsamente que era arguido em processo-crime e que estava impedido pelo Ministério Público de contactar com as crianças", refere o treinador, em comunicado. Acusação que diz ser falsa, pelo que instaurou um procedimento criminal contra os membros da direção que a proferiram.

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Em causa está o facto de os pais de um nadador, de 14 anos, do BA terem apresentado uma queixa ao Ministério Público, por o filho ter sido humilhado publicamente e abandonado em território estrangeiro, após ter recusado que um treinador lhe rapasse partes do cabelo, antes de uma competição, que decorreu em junho, em Badajoz, Espanha. Em consequência disso, o coordenador de natação de competição foi suspenso e outro treinador, Filipe Gomes, despediu-se.

O pai do atleta revelou ainda ao JN que a queixa acusa ainda os treinadores de coação, assédio moral e bullying, por terem comunicado ao jovem que não iria participar nas provas, em consequência de não ter permitido que lhe rapassem partes do cabelo. Após uma conversa tensa com João Paulo Fróis, o pai do adolescente conseguiu reverter a situação, mas identificou Filipe Gomes como tendo feito o "trabalho sujo", ao ser ele a rapar o cabelo aos adolescentes.

Em sua defesa, João Paulo Fróis alega que a praxe foi realizada de "forma pacífica" e sem a sua presença. "O interesse da atual direção do BA e dos pais do referido atleta é claro: prejudicar a reputação e bom nome do signatário", ao fazerem um "julgamento popular", em vez de deixarem que o assunto fosse resolvido nos tribunais. Desde então, o treinador de natação garante que tem recebido "mensagens ofensivas e ameaças à sua integridade física e moral, quer nas redes sociais, quer via whastApp".

"Não é verdade que o signatário tenha alinhado e incentivado qualquer violência psicológica ao atleta em questão, sendo igualmente falso que tenha promovido a sua humilhação pública", sublinha o comunicado. O treinador alega ainda que é falso que o jovem tenha sido abandonado num parque de estacionamento, onde o pai o encontrou a "a chorar, desorientado". Em declarações anteriores ao JN, Carlos Gonçalves, vice-presidente do BA, disse que "o miúdo está completamente traumatizado" e a receber apoio psicológico.

Na sequência desta situação, Carlos Gonçalves conta que os dois ex-treinadores criaram outro clube e garante que o BA está a perder atletas. "A mensagem de que estará planeada a extinção desta modalidade é falsa, e tem como objetivo não só interferir no normal desenvolvimento destes processos cíveis e criminais, como aliciar os nossos utentes a desvincularem-se deste projeto", refere um comunicado do clube. Em resposta a esta acusação, João Paulo Fróis diz ser "totalmente alheio a tal facto".

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