Casa Pia

Família e futebol nas primeiras horas de Carlos Cruz em liberdade

Família e futebol nas primeiras horas de Carlos Cruz em liberdade

O ex-apresentador de televisão Carlos Cruz disse hoje, à Lusa, que as primeiras horas da liberdade condicional serão passadas com a família e a "torcer" pela França frente à Alemanha, no jogo das meias-finais do Europeu de futebol.

"Vou estar hoje com a família, que é o mais forte que tem, e vou ver o Alemanha-França, com a esperança de que a França ganhe, o que é exatamente o que faria se estivesse dentro da [prisão da] Carregueira. A companhia é que é diferente", disse Carlos Cruz à agência Lusa, após sair em liberdade condicional, hoje, do Estabelecimento Prisional da Carregueira, Sintra.

O antigo apresentador de televisão, de 74 anos, rejubilou-se com a "decisão acertada" do Tribunal da Relação de Lisboa, que lhe concedeu a liberdade condicional e descreveu os primeiros momentos em liberdade: "Estou a aterrar, estava numa câmara de compressão, aterrei e agora tenho de descomprimir, antes de sair da cápsula".

"Sinto-me bem, porque não estou limitado por parede nenhuma. É a liberdade", disse, sublinhando contudo que "a consciência é superior à liberdade".

Quanto ao processo Casa Pia, que o condenou a seis anos de prisão por abusos sexuais de menores, e ao facto de nunca ter admitido a culpa, Carlos Cruz afirmou que "nunca poderia assumir uma coisa que não fez", acrescentando: "Estaria lá dentro até que me obrigassem".

"Não compro a liberdade com uma mentira. A liberdade só se pode construir com a verdade", acentuou.

À saída do Estabelecimento Prisional da Carregueira, o antigo apresentador de televisão reclamara novamente a inocência, frisando que está "completamente" preparado para um novo julgamento, uma vez que não tem qualquer dúvida, nem medo.

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"Quando se tem razão, quando se está inocente a força é enorme, não há obstáculo não há nada. Eu estive aqui mil e seiscentos e tal dias, e todos os dias eu acordava e adormecia inocente e isso dá-nos uma força que o conceito de tempo deixa de ser um conceito material, para ser um conceito abstrato, e nós vamos vivendo sempre na esperança que a verdade venha ao de cima e um dia virá", afirmou.

Sobre as alegadas vítimas da Casa Pia, disse ainda que não tem curiosidade em saber como estão, realçando que "é um problema da consciência deles".

"Eles sabem que não me conhecem e que nunca estiveram comigo, que estou inocente. Falar com eles para lhes pergunta o quê?", disse Carlos Cruz à saída da prisão.

O antigo apresentador de televisão saiu hoje em liberdade condicional, após ganhar um recurso no Tribunal da Relação de Lisboa.

Carlos Cruz, que já completou dois terços da pena de seis anos de prisão a que foi condenado, venceu um recurso apresentado na Relação de Lisboa, contra a decisão do Tribunal de Execução de Penas (TEP), que, em março, recusou o pedido de liberdade condicional.

No processo Casa Pia, relacionado com abusos sexuais de alunos e ex-alunos da instituição, foram ainda condenados o antigo motorista casapiano Carlos Silvino (15 anos de prisão), o médico Ferreira Dinis (sete anos), o ex-diplomata Jorge Ritto (seis anos e oito meses), o antigo provedor-adjunto da instituição Manuel Abrantes (cinco anos e nove meses).

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