Julgamento

Fernando Gomes desvaloriza acusação de que só quis beneficiar o F. C. Porto

Fernando Gomes desvaloriza acusação de que só quis beneficiar o F. C. Porto

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, escusou-se a comentar esta sexta-feira, no Tribunal de Lisboa, a acusação de um antigo presidente da Liga Portuguesa, Mário Figueiredo, de que o atual líder do futebol nacional só se candidatou em 2011 ao cargo para permitir ao F. C. Porto dominar o mundo do futebol.

Ainda assim, no julgamento da divulgação de e-mails dos encarnados no Porto Canal, Fernando Gomes testemunhou, que, após as mensagens que, alegadamente, demonstram o suposto controlo do futebol pelos dragões, foi reeleito presidente da FPF com o apoio "praticamente unânime" dos clubes, incluindo do Benfica.

O diretor de comunicação do F. C. Porto, Francisco J. Marques, o atual diretor de conteúdos do Porto Canal, Diogo Faria, e o ex-diretor-geral da estação, Júlio Magalhães, estão a ser julgados, em Lisboa, pela divulgação no programa Universo Porto de Bancada, em 2017 e 2018, de uma série de e-mails referentes a anos anteriores que terão sido retirados ilicitamente, por terceiros não identificados, do sistema informático do Benfica.

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Os arguidos têm assegurado que o fizeram atendendo ao "interesse público" em conhecer-se o alegado "polvo encarnado" no mundo do futebol. As Águias negam que este domínio existisse.

A 7 de outubro deste ano, 2022, Mário Figueiredo testemunhou que há mensagens datadas de 2011 que não foram mostradas no programa Universo Porto de Bancada que mostram que era o F.C. Porto quem, afinal, exercia esse controlo, apontado a mira a Fernando Gomes, administrador do F.C. Porto até 2010. As SMS em causa terão sido remetidas via e-mail, em 2014, por elementos da LFPF a pessoas ligadas ao Benfica.

"Não vou comentar comentários do Dr. Mário Figueiredo", afirmou, esta sexta-feira, o presidente da FPF, admitindo que a troca de e-mails possa ter ocorrido no âmbito de uma "divergência" que à data existia entre a Liga e a federação, que Fernando Gomes dirige desde dezembro de 2011.

O líder da FPF considerou, ainda, que nem as suas SMS nem os e-mails deveriam, por serem privados, ter sido divulgados. Uma das SMS tinha já, em 2013, sido divulgada na imprensa. Fernando Gomes apresentou, nessa altura, queixa às autoridades. O inquérito acabou por ser arquivado.

Sem "interesse público", diz testemunha

Já o ex-diretor de comunicação do Benfica, Luís Bernardo, corroborou, também esta sexta-feira, a tese do clube encarnado, assistente no processo, de que os e-mails tornados públicos no Porto Canal foram manipulados.

"Se houvesse interesse público, não havia necessidade de estar a truncar e a falsificar e-mails", defendeu no julgamento, acrescentando que, se aquele "interesse público" existisse, os e-mails teriam sido divulgados por jornalistas e não por Francisco J. Marques, então comentador assíduo no programa Universo Porto de Bancada.

"É completamente diferente ser um jornalista idóneo [a fazê-lo] de ser um diretor comunicação de um clube, com um interesse próprio", frisou Luís Bernardo, arrolado como testemunha pelo Ministério Público.

O julgamento prossegue nas próximas semanas, com a audição de mais testemunhas. Até esta sexta-feira, nenhum dos arguidos prestou declarações em tribunal. Francisco J. Marques, de 56 anos, Diogo Faria, de 32, e Júlio Magalhães, de 59 e atualmente noutra estação, respondem, entre outros crimes, violação de correspondência ou telecomunicações e ofensa a pessoa coletiva, incorrendo em pena de prisão ou de multa.

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