Homicídio

Filho confessa que matou o pai em Vila Verde mas diz que só o queria assustar

Filho confessa que matou o pai em Vila Verde mas diz que só o queria assustar

O filho do empresário assassinado a tiro em Vila Verde confessou esta quarta-feira a autoria do crime, mas sublinhou que a sua intenção era apenas "assustar" o pai, a quem acusou de criar um clima de terror em casa.

No Tribunal de Braga, no início do julgamento, o arguido, de 22 anos, falou em constantes agressões, insultos e ameaças do pai à mãe, que acabavam por "sobrar" também para os filhos.

"Quando eu tentava defender a minha mãe, também levava. Foi desde sempre muito difícil conviver com o meu pai. E quando estava com o álcool, ainda era pior", relatou, sublinhando a "saturação psicológica" que se instalou no seio familiar.

No dia dos factos, em 23 de outubro de 2017, o arguido regressou a casa em Moure, Vila Verde, com o trator avariado, depois de ter estado a agricultar um campo, e foi verbalmente repreendido pelo pai, com insultos.

O arguido disse que foi a casa buscar uma arma para "assustar" o pai e que este, ao vê-lo, se baixou para pegar num ferro, dizendo que o ia matar.

"Ia assustá-lo, ele reagiu, calhei de carregar no gatilho e disparou", acrescentou.

No processo, é também arguida a mulher da vítima, que deu conta de toda uma vida de maus-tratos desde que casou, em 1986.

"Um casamento sempre de levar, e os filhos igual", referiu.

Contou que, face à agressividade do marido, teve de dormir muitas noites "no coberto" e que chegou a fugir para a França, mas acabava por voltar para a casa por temer consequências piores, nomeadamente para os pais.

Em relação ao tiro dado pelo filho, disse ter a certeza que ele "não queria fazer aquilo, mas, com o desespero, aconteceu".

"Um ou outro ia ter que morrer, ia ser um ou outro", afirmou.

Após o homicídio, a arguida desfez-se da arma e, conjuntamente com o filho, colocou o corpo da vítima num furgão, que os dois acabaram por deixar abandonado num descampado em Palmeira, Braga.

O corpo só foi encontrado três dias depois do crime.

Entretanto, a mulher participara à GNR o alegado "desaparecimento" do marido.

O filho da vítima só foi detido em setembro de 2018, porque após o crime ausentou-se para França.

Ficou em prisão preventiva, uma medida de coação entretanto alterada para prisão domiciliária.

Ministério Público sublinha atenuantes

Nas alegações finais do julgamento, a procuradora do MP não especificou uma pena, mas disse que o tribunal deve considerar, como atenuantes, a confissão do arguido e o clima familiar em que cresceu, traduzido num "crescendo" de violência por parte do pai.

A magistrada pediu também a condenação da viúva do arguido, por simulação de crime.

O filho da vítima está acusado da prática de um crime de homicídio simples agravado pelo uso de arma de fogo, um crime de detenção ilegal de arma e um crime de simulação de crime, além de dois crimes de condução sem habilitação legal.

No âmbito de um processo apenso, responde ainda por extorsão.

A mulher da vítima está acusada de simulação de crime e detenção ilegal de arma.

No processo são assistentes dois filhos da vítima, de 24 e 29 anos, resultantes de uma relação extraconjugal, que pedem uma indemnização pela morte do pai.

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