Justiça

Fortuna dos Espírito Santo fica à guarda da Justiça

Fortuna dos Espírito Santo fica à guarda da Justiça

Barcos, joias, obras de arte e automóveis juntaram-se, na quarta-feira, a perto de 600 imóveis arrestados pela Justiça a ex-administradores e empresas do Grupo Espírito Santo para salvaguardar o pagamento de indemnizações aos lesados, no termo dos processos-crimes em curso.

Não há, nesta altura, uma estimativa precisa sobre o valor dos bens apreendidos, até porque há avaliações a fazer, mas o objetivo será atingir uma verba a rondar os dois mil milhões de euros - o montante aproximado conhecido dos prejuízos dos lesados no caso BES.

Na prática, a operação, protagonizada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, num inquérito dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal do Ministério Público, teve como objetivo inventariar os bens móveis dos ex-responsáveis do BES, entre os quais os administradores Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires e José Manuel Espírito Santo.

Os inspetores da Polícia Judiciária estiveram nas casas dos suspeitos desde manhã cedo e saíram já ao princípio da noite, depois de terem recolhido dados sobre os bens mais valiosos encontrados na posse dos ex-banqueiros, visados em dezenas de processos relativos ao colapso do BES.

De acordo com a Procuradoria- Geral da República, foram realizadas cinco buscas. Foram visitadas as residências de Ricardo Salgado, em Cascais e na Herdade da Comporta. Quanto ao ex-administrador financeiro do BES, Amílcar Morais Pires, foi alvo de buscas pelo menos uma quinta localizada na zona de Alenquer.

Raul Soares da Veiga, advogado de Morais Pires, já garantiu que vai impugnar o arresto dos bens. "Há razões para impugnar", garantiu o defensor, sem explicar quais os fundamentos.

Já Francisco Proença de Carvalho, advogado de Ricardo Espírito Santo Salgado, foi mais cauteloso: "Este é o momento da acusação e vai haver o momento da defesa".

Dando a entender que haverá uma reação às diligências de arresto, o defensor promete que serão "denunciados todos os abusos que sejam cometidos".

Francisco Proença de Carvalho destacou toda a "lealdade e total colaboração" de Ricardo Salgado com a justiça, recordando a audição no Parlamento, no âmbito da comissão de inquérito: "É um grande homem, que lutará até ao limite das suas possibilidades".

Primeira fase há um mês

No mês passado, as autoridades avançaram com a primeira fase da operação de arresto, envolvendo a apreensão de cerca de 600 imóveis do "Universo Espírito Santo", entre eles a Herdade da Comporta e imóveis da Rioforte.

Na altura, a Procuradoria-Geral da República justificou a operação como sendo "uma medida de garantia patrimonial que visa impedir uma eventual dissipação de bens que ponha em causa, em caso de condenação, o pagamento de quaisquer quantias associadas à prática do crime, nomeadamente a indemnização de lesados ou a perda a favor do Estado das vantagens obtidas com a atividade criminosa".

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