Investigação

França confirma que Rui Pinto está a colaborar no Football Leaks

França confirma que Rui Pinto está a colaborar no Football Leaks

Autoridades francesas revelam que no ano passado português testemunhou de livre vontade, sem mandado de detenção, e sublinham importância de aceder aos mais de 80% de ficheiros ainda por divulgar.

Numa conferência de imprensa em Haia, na Holanda, o vice procurador do Ministério Publico francês escusou-se a comentar se a detenção de Rui Pinto em Budapeste poderá prejudicar a investigação do Football Leaks mas salientou o interesse em "aceder nas melhores condições possíveis a informação que está pendente e que ainda não nos foi facultada".

Frisando que "é claro que a França é o ponto de entrada para estes documentos", Jean-Yves Lourgouilloux confirmou, na terça-feira, que Rui Pinto já lhes facultou três suportes informáticos com cerca de 12 milhões de ficheiros, mas que estes são apenas pouco mais de 10% da informação em posse do portal Football Leaks e que é muito importante aceder aos mais de 80% de dados que ainda não foram disponibilizados.

Mesmo assim, o procurador gaulês acredita que, dos 12 milhões de ficheiros já disponibilizados, "haverá cerca de dois milhões que poderão ser úteis" para a investigação à criminalidade organizada no futebol mundial.

O representante português no Eurojust, o procurador António Cluny, também fez questão de separar as águas e explicou que a detenção de Rui Pinto não foi analisada na reunião dessa manhã sobre o Football Leaks porque é um caso de extorsão, "completamente separado e que está a ser tratado exclusivamente pelas autoridades portuguesas e húngaras".

"Há dois processos diferentes que correm em dois países diferentes. Um é um caso português no qual o senhor Pinto está detido e, por isso, a França não tem nada a dizer. Depois, há um processo francês que quer fazer uso total dos documentos", corroborou o procurador francês.

Lei francesa permite usar e-mails

O procurador deixou bem claro que, "segundo a lei francesa, o princípio da liberdade da prova permite que os investigadores usem qualquer prova perante o tribunal desde que não tenha sido obtida por conduta ilícita do tribunal ou dois magistrados investigadores".

Antes, Jean-Yves Lourgouilloux tinha elencado os desenvolvimentos do caso Football Leaks e a sua colaboração com Rui Pinto. Logo após a publicação dos primeiros artigos, em dezembro de 2016, "John" fonte dos artigos do Football Leaks contactou as autoridades francesas e "ofereceu a sua colaboração", desde que ficasse sob anonimato.

"Apenas tínhamos os artigos publicados, por isso era muito importante basear a nossa investigação em provas sólidas e robustas", explicou o procurador francês, acrescentando que o facto de não saberem a identidade de John nem o local da sua residência dificultou a colaboração.

Entretanto, a imprensa portuguesa revelou a identidade do denunciante John publicando a sua fotografia e a sua identidade. "Aparentemente, John seria Rui Pinto", recordou Jean-Yves Lourgouilloux. E, "mal a sua identidade foi revelada decidiu testemunhar, apesar das ameaças que estava a receber. Testemunhou de livre vontade nas nossas instalações, sem qualquer mandado de detenção, e durante a sua audição deu-nos dois suportes informáticos com ficheiros".

"Em janeiro, Rui Pinto foi detido na Hungria por causa de um mandado de detenção emitido por Portugal. Uns dias depois recebemos um novo suporte informático com informações entregue pelo seu advogado", acrescentou o procurador.

"Uma primeira análise, através de palavras-chave, permitiu-nos confirmar que os dados poderiam constituir provas valiosas para a investigação francesa. Mas também ficou claro que a informação também poderá interessar a outras autoridades judiciais noutras investigações já em curso ou até iniciar novas investigações", resumiu Jean-Yves Lourgouilloux, no final da primeira reunião europeia que se debruçou sobre o caso Football Leaks.

Estiveram na reunião nove países, sete da União Europeia e dois países terceiros. Participaram França, Bélgica, Portugal, Espanha, Reino Unido e Holanda, os restantes não quiseram ser nomeados.

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