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Julgamento

"Freira" lanchava mousse com espumante e exigia frugalidade às mais novas

"Freira" lanchava mousse com espumante e exigia frugalidade às mais novas

Apesar de haver "muita comida" no "convento" da Fraternidade Cristo Jovem, em Requião, Famalicão, as "noviças" precisavam de autorização para pegar em qualquer alimento.

Contudo, segundo garantiu esta quarta-feira Sandra Margarida, uma antiga "noviça", a "freira" Arminda Costa "lanchava mousse de chocolate e espumante, e se este não fosse de qualidade, já não lanchava, porque dizia que estragava o sabor da mousse".

Arminda Costa, Isabel Silva e Joaquina Carvalho, "freiras" da Fraternidade Cristo Jovem, e o padre Joaquim Milheiro estão a ser julgados pelos crimes de escravidão contra jovens aspirantes a freiras.

Segundo contou esta quarta-feira Sandra Margarida ao Tribunal de Guimarães, "as pessoas" "davam muita comida" à Fraternidade, mas não era permitido comer sem autorização de Arminda, "porque comer era falta de espírito". Por isso, acrescentou, a "freira" controlava o que as mais novas comiam. Mas, contou, não ficavam saciadas com o que podiam comer.

Sandra Margarida saiu do "convento" em novembro de 2015, quando a PJ realizou buscas, e regressou em 2016, "porque o padre Milheiro estava retirado e Arminda também". "Pensei que a obra se ia emendar", continuou. Contudo, adiantou, "o ambiente ficou outra vez tóxico", e voltou a sair, "definitivamente", em março de 2018.

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A antiga "noviça" relatou que foi agredida várias vezes por Arminda e insultada por esta, pelo sacerdote e até por Isabel. Narrou ainda que os banhos só podiam demorar 15 minutos, sendo cronometrados por Arminda. As jornadas de trabalho, essas, duravam "12, 13, 14 horas", queixou-se.

Sem cuecas ou com cuecas "comunitárias"

Dois dos castigos aplicados no "convento" por Arminda às "noviças" era andarem sem roupa interior, ou andarem todo o dia com um objeto que tivessem quebrado, como um prato ou uma jarra. O castigo de andar sem cuecas já fora relatado ao tribunal por outras testemunhas, mas, ontem, Sandra Margarida acrescentou que, quando não cumpriam tal castigo, as "noviças" tinham de usar cuecas "comunitárias", isto é, partilhadas por elas.

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