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Megaoperação da PJ

Funcionários do SEF, Fisco e Segurança Social envolvidos em rede de imigração ilegal

Funcionários do SEF, Fisco e Segurança Social envolvidos em rede de imigração ilegal

Uma inspetora do SEF e funcionários da Autoridade Tributária e da Segurança Social foram detidos pela Polícia Judiciária, esta terça-feira de manhã, por suspeita de envolvimento num esquema de legalização de imigrantes à margem da lei.

Segundo apurou o JN, a rede é suspeita de legalizar centenas de imigrantes através de um esquema de corrupção que previa a obtenção de subornos.

Os funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), do Fisco e da Segurança Social facilitavam e adulteravam documentos dos candidatos para agilizarem a obtenção das autorizações de residência, fechando os olhos a eventuais irregularidades dos processos. Os imigrantes são maioritariamente oriundos do Paquistão e eram angariados por compatriotas a quem pagavam milhares de euros para obterem legalizações em poucos dias. No esquema de auxílio à imigração ilegal, estaria envolvido um escritório de advogados, que recebia os estrangeiros.

Entre os detidos, está uma funcionária do SEF, dois do Fisco, dois da Segurança Social e três advogados, um dos quais, de origem moçambicana, já tinha sido detido e condenado em 2013 por crime de auxílio à imigração ilegal. A funcionária do SEF, informou a autoridade, já tinha sido "constituída arguida no âmbito de um processo crime" instaurado pela instituição e "alvo de um processo disciplinar comum, devido aos fortes indícios da prática dos crimes de corrupção passiva, abuso de poder e falsificação de documentos".

A Polícia Judiciária realizou buscas nas instalações das instituições referidas, no escritório de advogados em causa e nas casas dos suspeitos. A megaoperação concentrou-se essencialmente na área da Grande Lisboa e já culminou na detenção de cerca de 20 arguidos, devendo o número de detidos aumentar durante o dia.

Entretanto, a PJ emitiu um comunicado sobre a operação, denominada "Rota do Cabo", anunciando o desmantelamento de uma "organização criminosa responsável pela introdução ilegal em Portugal e na Europa de milhares de imigrantes". Alguns detidos têm "vastos antecedentes criminais e ligações a redes internacionais que determinam e controlam os fluxos migratórios irregulares com origem em diversos países da Ásia Meridional e África", pode ler-se.

Os detidos, com idades entre os 28 e os 64 anos, "são suspeitos da prática dos crimes de associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, de casamento por conveniência, de falsificação de documentos, de abuso de poder, de corrupção ativa e passiva, de branqueamento, de falsidade informática e acesso indevido, atividade criminosa que permitiu obter elevados proventos financeiros".

Os detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa na quarta-feira, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

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