Porto

Confrontos à porta do tribunal após sentença sobre tráfico de droga no Aleixo

Confrontos à porta do tribunal após sentença sobre tráfico de droga no Aleixo

A leitura do acórdão do processo de vários arguidos acusados pelo tráfico de droga no Bairro do Aleixo foi esta quinta-feira conhecida. Dos 23 acusados, 19 foram condenados a penas de prisão efetiva.

Dois dos acusados foram condenados a penas de prisão suspensa, uma pessoa vai pagar uma multa de 400 euros e um indivíduo será absolvido. Fernando Silva e Sandra Silva, marido e mulher, considerados os cabecilhas do grupo, apanharam a pena mais pesada de prisão de 10 anos.

Mónica Campos, João Campos e Hugo Martins foram condenados a 8 anos e meio a nove anos de prisão. À saída do Tribunal de São João Novo, no Porto, alguns familiares e amigos dos acusados tentaram evitar que os jornalistas fizessem registo de imagens. Os confrontos foram travados pela PSP.

O tribunal deu como provada praticamente toda a acusação, apoiado em diversos meios de prova, mas sobretudo escutas telefónicas.

Rejeitou, no entanto, a acusação de branqueamento dos capitais gerados no tráfico, que estava imputada a um arguido, bem como a acusação de associação criminosa, feita a seis dos 23 arguidos.

Na perspetiva do coletivo de juízes, o grupo de traficantes "Pelé", como ficou conhecido, estava bem organizado, com tarefas perfeitamente definidas, mas não ao ponto de se poder dizer que configurava uma associação criminosa.

Na leitura do acórdão, a presidente do coletivo de juízes disse já ter julgado muitos casos de tráfico de droga, algum também consumado no Bairro do Aleixo, mas nunca envolvendo quantias tão elevadas.

Só na cozinha de residência do principal arguido e da mulher, a polícia encontrou 11850 euros, "quantia proveniente da atividade de tráfico a que os arguidos (...) se vinham dedicando", já que no período de 2013 a 2018 "não tiveram qualquer outra fonte de rendimento, nunca elaborando qualquer declaração de rendimentos por proventos de trabalho ou outros".

A magistrada judicial disse que alguns dos arguidos chegaram a comprar bens moveis e imóveis de valor elevado e muitos deles beneficiavam de ajudas públicas, nomeadamente do Rendimento Social Inserção (RSI).

"E outros que até precisariam de RSI veem muitas vezes os seus pedidos preteridos", acrescentou.

Demolição do Bairro do Aleixo

A juíza criticou também o contributo que os traficantes deram para a degradação física e psicológica de muitos toxicodependentes, tudo "em nome da avidez, do lucro fácil".

Numa referência ao tráfico de droga na zona portuense do Aleixo, sublinhou a deslocação de algum dele para a área próxima da Pasteleira e comentou: "A destruição do Bairro do Aleixo, não sei se foi boa ou má".

Na altura, a polícia apreendeu mais de 120 mil doses de heroína e cocaína, 53 mil euros, sete carros, uma moto, várias 'taser', facas e 30 telemóveis.

O dinheiro e os carros, aos quais foi atribuído o valor comercial global de mais de 86 mil euros, foram declarados perdidos a favor do Estado.

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