Sporting

Gelson recebeu mensagem a avisar ataque em Alcochete mas não viu

Gelson recebeu mensagem a avisar ataque em Alcochete mas não viu

O antigo futebolista do Sporting Gelson Martins disse, em tribunal, que recebeu uma mensagem no telemóvel a avisá-lo de que alguma coisa ia acontecer na academia do clube, em Alcochete, no dia da invasão.

"Recebi a mensagem a avisar que estavam a invadir a academia, mas, como não estamos sempre com o telemóvel, só a vi depois. Era de um amigo que passou junto da academia e viu o grupo de adeptos a aproximar-se", disse o jogador, ouvido hoje, por Skype, na 22.ª sessão do julgamento da invasão à academia.

Gelson, de 24 anos, e que representou o Sporting durante sete, disse ter "sentido muito medo" e ficado "paralisado" quando a academia do clube foi invadida, em maio de 2018. "Tive medo, paralisei perante a situação. Foi uma situação mesmo muito difícil, e acho que até hoje ainda sinto alguma dificuldade em lidar com isso, foi muito difícil para mim e para a minha família", referiu, acrescentando que passou a nunca andar sozinho na rua.

Gelson Martins estava perto de Acuña, que foi agredido "com pontapés, socos e chapadas", e lembrou que um dos agressores lhe disse para não ter medo, que não lhe ia acontecer nada. "Quando estavam a bater no Acuña, estava um rapaz à minha frente, que não fez nada, e disse-me para eu ficar ao pé dele que não me ia acontecer nada. Como tinham todos a cara tapada não o reconheci", disse.

O médio confirmou declarações anteriores de outros futebolistas e membros da equipa técnica de que os "seguranças tentaram fechar as portas, mas não conseguiram evitar a entrada do grupo" e que os agressores tinham como principais alvos Battaglia, Acuña, William Carvalho e Rui Patrício. Gelson referiu ainda ter visto uma "tocha a atingir o preparador físico" e disse só se ter apercebido "do som do alarme de incêndio no final do ataque".

O julgamento prossegue na próxima quarta-feira, com as audições dos jogadores Piccini e Fábio Coentrão, e o enfermeiro Carlos Mota. Na sexta-feira, dia 31, deverão ser ouvidos André Geraldes, ex-team manager do Sporting, que aguarda resposta ao pedido para ser ouvido por videoconferência, e William Carvalho, atual jogador dos espanhóis do Bétis e um dos capitães dos leões à data dos factos.