Investigação

General chamado ao caso dos comandos

General chamado ao caso dos comandos

O comandante das Forças Terrestres, tenente-general Faria de Menezes, vai ter que prestar declarações no âmbito do processo-crime sobre os incidentes na formação de comandos que conduziram à morte dos instruendos Hugo Abreu e Dylan Silva.

Faria de Menezes foi chamado a prestar declarações presencialmente no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa para ser ouvido como testemunha pela própria procuradora, Cândida Vilar, titular do inquérito, numa comunicação feita na terça-feira. A inquirição estava marcada para esta sexta-feira, mas o general escusou-se a fazê-lo presencialmente, respondendo que o faria por escrito, prerrogativa que lhe é permitida dado o cargo que desempenha, segundo foi noticiado pelo Observador e confirmado pelo JN.

A inquirição ao comandante das Forças Terrestres é considerada essencial, uma vez que constitui a entidade que comanda diretamente o Regimento de Comandos e tutela todo o desempenho da unidade. Por outro lado, a rígida estrutura hierarquizada do Exército obriga a que todos os factos considerados graves ou importantes sejam comunicados de imediato, seguindo a cadeia de comando.

O JN sabe que a decisão de Faria de Menezes de responder por escrito e não presencialmente foi acolhida com surpresa pelo Ministério Público, uma vez que parece sair do molde que enquadra a cultura castrense, que prima pela franqueza e por uma comunicação direta e imediata. Em todo o caso, a resposta por escrito é um direito que assiste ao comandante das Forças Terrestres. O comandante do Regimento, Dores Moreira, já tinha também prestado declarações, enquanto o diretor da prova, que depende diretamente de Dores Moreira, foi constituído arguido.

Em causa está, em particular, a questão do fornecimento de água aos instruendos, o que terá estado na base das mortes de Hugo Abreu e Dylan Silva, e que parece não ter respeitado o "Guião da Prova", à semelhança do que já tinha acontecido em 2015, tal como o JN já noticiou.

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