Trás-os-Montes

GNR alerta idosos para burlas com vacina da covid-19

GNR alerta idosos para burlas com vacina da covid-19

Militares vão a casa de quem vive sozinho ou em locais isolados dar conselhos para se protegerem do novo coronavírus e de quem se faz passar por profissional de saúde.

Pedro Pereira e Gil Teixeira, militares do Destacamento da GNR de Mirandela, batem à porta de Rosa Neves, na Fontelonga, concelho de Carrazeda de Ansiães. "Olá, por aqui outra vez?" pergunta ela, saindo de uma loja de arrumos. Eles anuem e explicam que desta vez estão ali para alertar para as medidas de prevenção que devem ser tomadas no âmbito da pandemia de covid-19 e para os cuidados a ter para precaver situações de burla.

"Tem aqui um folheto com informações sobre a covid-19, o que deve fazer e o que deve evitar. Não se esqueça de usar a máscara...". Rosa interrompe Gil Teixeira para dizer que sim, que a usa. Porém, na zona mais isolada da aldeia, onde vive e anda só "de casa para o quintal, do quintal para a loja, ou da loja para o pinhal em dias de bom tempo", às vezes nem a usa. Mas quando tem gente por perto "as regras são cumpridas". "Se até aqui já tinha muito respeito, porque o vírus é assustador, agora ainda tenho mais", reforça.

Na conversa com os militares, Rosa Neves mostra que está bem informada sobre o impacto da pandemia em Portugal e sobre a forma como deve agir para se manter em segurança. Os militares ainda a alertam para o facto de "andarem por aí alguns supostos enfermeiros a sugerirem a toma da vacina". "Isso não vai acontecer", deixam claro, vincando que "é preciso ter cuidado" para "não cair neste tipo de burla".

Pedro Pereira e Gil Teixeira acrescentam que os idosos, "certamente, serão contactados pelo centro de saúde quando chegar a altura de tomarem a vacina" contra a covid-19. Se andarem pelas aldeias a oferecê-la é mais que certo que são burlões e vão pedir dinheiro. "Não acreditem", insistem. "Mantenham as portas fechadas e não deixem entrar ninguém em casa", reforçam.

Dado o recado a Rosa Neves, os dois militares visitam Maria Alexandrina, que também reside sozinha na Fontelonga. "Andam assim a ver os velhinhos, não é?", sorri-lhes. A GNR dá-lhe os mesmos conselhos. A mulher, apoiada numa bengala, agradece e explica que só sai para "ir às compras e buscar o cacauzinho (dinheiro) ao banco".

Pedro e Gil lembram que o número de telefone da GNR para o qual deve ligar em caso de necessidade está no desdobrável que acabam de lhe deixar. Despedem-se. "Pronto, até à próxima!" E ela acrescenta um lamento: "Só é pena não poder oferecer agora um lanchezinho, com um tratadinho (vinho do Porto) e um biscoitito... assim, uma coisita. Mas não se pode, não é?"

PUB

Para além de Mirandela e Carrazeda de Ansiães, as operações do destacamento mirandelense da GNR abrangem também o concelho de Vila Flor, onde, há dias, um casal, de 59 e 60 anos, foi detido por andar a passear na rua depois de os dois elementos terem testado positivo à covid-19.

O capitão Hugo Torrado, comandante do Destacamento da GNR de Mirandela, lembra que quem for apanhado a circular, quando devia estar em casa em isolamento profilático, incorre num crime de "desobediência". Inicialmente os incumpridores são "encaminhados para a residência" e a seguir é dado "conhecimento ao Ministério Público".

"Findo o período de isolamento, a pessoas tem de se deslocar a tribunal para assumir as suas responsabilidades de âmbito criminal", acrescenta Hugo Torrado. A pena pode ir até "um ano de prisão ou 120 dias de multa".

A GNR também tem no terreno uma operação dirigida à fiscalização rodoviária para "fazer um controlo das pessoas que se deslocam" e se estas "o estão a fazer por um motivo legalmente previsto". Estando a fazê-lo prosseguem viagem, caso contrário "é-lhes levantado um auto de contraordenação no valor de 200 euros, que pode ser ainda aumentado até 400 euros perante a reincidência".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG