Fiscalização

GNR corta A4 para controlar motivos de viagem

GNR corta A4 para controlar motivos de viagem

A GNR cortou a Autoestrada A4, logo a seguir às portagens de Ermesinde, em direção a Vila Real, para controlar os motivos das viagens, para o exterior da cidade do Porto.

"Vimos de trabalhar, porque o setor da construção civil não parou. Mas já disse ao meu patrão que isto não pode continuar, por mim já estava em casa há muito". As palavras são de Carlos Sampaio e mereceram a concordância dos três colegas que viajavam na mesma carrinha que os havia de levar a Lousada.

Carlos foi um de centenas de condutores que, nesta sexta-feira, foram fiscalizados durante uma operação de grande envergadura montada pela GNR, logo a seguir às portagens de Ermesinde, no sentido Porto - Amarante, da A4. "A nossa principal tarefa é sensibilizar os automobilistas para o dever de recolhimento. Basicamente, dizemos às pessoas para ficar em casa. Mas as que estão obrigadas a confinamento e são identificadas incorrem num crime de desobediência e são detidas", explica o capitão Bruno Ribeiro, que liderou uma equipa de 32 militares que, entre as 15 horas e as 18 horas, condicionou a circulação rodoviária naquela autoestrada. "Esta operação faz todo o sentido e devia haver penalizações para quem está de quarentena e continua a andar na estrada", volta a defender Carlos Sampaio, de 47 anos.

Nuno Rocha, técnico eletrónico, foi outro condutor que justificou a viagem com motivos profissionais. "Continuo a vir todos os dias de Penafiel para o Porto. Na minha empresa, o pessoal do escritório está em teletrabalho, mas os técnicos continuam a laborar, o que me impede de ficar em casa", afirma, enquanto mostra a declaração emitida pela entidade patronal.

Declaração da entidade patronal só é obrigatória entre 9 e 13 de abril

Segundo o capitão Bruno Rodrigues, o documento que prova que o automobilista está obrigado a sair do concelho onde reside por motivos profissionais só será exigido pelas autoridades entre os dias 9 e 13 deste mês. Até lá, as viagens para comprar bens essenciais, prestar apoio a familiares ou receber assistência médica, os principais motivos apresentados pelos automobilistas controlados na A4, continuam a ser permitidas. "Àquelas pessoas que não tiverem um motivo forte para se deslocar de carro é-lhes dada ordem para ir para casa", esclarece o oficial da GNR.

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Foi o que aconteceu com um automobilista que pretendia ir a uma cadeia de fast food situada junto às portagens da A4. Mas não o que foi dito a Helena Sousa, 31 anos, e Celeste Oliveira, 58, que partilhavam o mesmo carro. A primeira, dona e única funcionária de uma empresa de comércio de peças de automóvel, está obrigada a trabalhar para evitar o encerramento do negócio. A segunda aproveitou a boleia para ir ao supermercado. "Há mais de 15 dias que não saía de casa", garante.

Operações diárias

As operações de fiscalização da GNR semelhantes à que decorreu na A4, e ainda na A28, que liga Viana do Castelo ao Porto, irão, desenrolar-se todos os dias até à Páscoa, mas já não deverão afetar Libánio Alves, 40 anos, de Paredes. Este funcionário da Reitoria do Porto estava de quarentena há mais de 15 dias, mas teve necessidade de ir ao emprego, por algumas horas, para realizar uma tarefa urgente. "Regresso de imediato a casa e vou continuar em quarentena até que o Governo dê ordens para regressar ao trabalho", refere, quem considera que "grande parte das pessoas não tem consciência e continua a sair de casa". José Lagoa, 67 anos, tem uma opinião diferente. "Anda pouca gente na rua", diz o dono de um stande de automóveis que estava isolado há duas semanas. "Vivo no Porto e vou levar um carro a Vila Real. É uma situação excecional e só por isso é que saí de casa", esclarece.

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