Isolamento

GNR vai telefonar a idosos para combater a solidão durante a Páscoa

GNR vai telefonar a idosos para combater a solidão durante a Páscoa

Os militares da GNR vão, durante o período da Páscoa, telefonar a idosos isolados para, assim, tentar combater a sua solidão numa época em que as reuniões de família estão desaconselhadas, de modo a evitar a propagação da Covid-19.

No total, a GNR tem sinalizados, em todo o país, 141 mil idosos em situação muito vulnerável.

"Neste tempo que é de Páscoa, que é um tempo de família, e não havendo a possibilidade de estar em família, a Guarda Nacional Republicana, com ações de proximidade - especialmente pelo telefone - vai contactar estes idosos e tentar levar-lhes alguma proximidade", adiantou, esta quarta-feira, o diretor de operações da GNR, Vítor Rodrigues, numa conferência de imprensa conjunta com o diretor de operações da PSP, Luís Elias, destinada a apresentar a operação "Páscoa em Casa".

Entre as zero horas de quinta-feira, 9 de abril, e as 23.59 horas de segunda-feira, 13 de abril, estão proibidas as deslocações da generalidade da população para fora dos concelhos de residência, exceto por razões de saúde ou de trabalho. Quem necessitar de o fazer, deverá ter consigo uma declaração da entidade profissional a comprovar a situação.

35 mil elementos da PSP e GNR no terreno

No total, estarão disponíveis para ir para o terreno 35 mil elementos da PSP e da GNR, adiantou, esta quinta-feira, Luís Elias. A GNR vai estar particularmente atenta aos principais eixos rodoviários de acesso ao norte e centro do país, à Serra da Estrela e ao Algarve. Estradas secundárias serão igualmente controladas.

Já a PSP vai estar concentrada nas entradas e saídas dos grandes centros urbanos do país, em particular entre os concelhos do Grande Porto e da Grande Lisboa.

Durante este período, estão ainda previstas ações conjuntas da PSP e da GNR nas áreas de confluência dos territórios sob responsabilidade de cada uma das forças de segurança.

Para evitar deslocações sem justificação legal, os elementos das forças de segurança estarão também presentes em terminais de autocarros, estações de comboio, parques e jardins públicos e orlas costeiras.

Na operação anterior, que se iniciou às 12 horas de 3 de abril termina às 23.59 desta quarta-feira, foram controladas, até ao final de terça-feira, cerca de 94 mil pessoas e fiscalizados mais de 186 mil veículos. A abordagem tem sido, sobretudo, pedagógica, mas há, ainda assim, a registar 49 detenções por desobediência, 15 das quais por violação do confinamento obrigatório.

Esta quarta-feira, Luís Elias e Vítor Rodrigues elogiaram, de resto, o comportamento dos portugueses até ao momento e apelam a que o cumprimento generalizado das normas do estado de emergência se mantenha.

Desde 22 de março que pessoas infetadas com o novo coronavírus ou em vigilância ativa pelas autoridades de saúde por terem contactado com alguém nessa condição estão proibidas de sair de casa. Já a generalidade dos cidadãos está sujeita ao dever de recolhimento domiciliário, podendo apenas circular na rua para ir ao supermercado, trabalhar, prestar apoio a pessoas vulneráveis e passear o cão, entre outras atividades. As restrições mantêm-se em vigor durante o período da Páscoa, a par da impossibilidade de sair do concelho de residência.

Segundo o Código Penal, o crime de desobediência é punível com pena de prisão até um ano ou até 120 dias de multa, mas a moldura penal foi, por determinação do Governo, agravada em um terço quando em causa esteja a violação das normas do estado de emergência. Os cidadãos detidos nesse âmbito incorrem, por isso, numa pena que pode chegar a um ano e quatro meses de cadeia ou a 160 dias de multa.

A medida foi tomada a 2 de abril, aquando da prorrogação, até 17 de abril, da atual situação de exceção, instaurada pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a 19 de março.