Ex-PJ

Gonçalo Amaral previu, há um ano, suspeito alemão no caso Maddie

Gonçalo Amaral previu, há um ano, suspeito alemão no caso Maddie

Gonçalo Amaral, previu, há mais de um ano, que a polícia britânica ia apontar a investigação para "um pedófilo", "detido na Alemanha" como suspeito do rapto de Madeleine McCann, em 2007, no Algarve.

A polícia britânica "prepara-se para encerrar a investigação com um pedófilo germânico que está preso neste momento", disse Gonçalo Amaral, em abril de 2019, em entrevista concedida ao "podcast" do canal de televisão australiano "Nine".

"A caravana em que vivia foi enviada para a Alemanha para testes, mas nada foi encontrado", disse Gonçalo Amaral, acrescentou o ex-inspetor da Polícia Judiciária, que liderou a investigação ao desaparecimento de Maddie durante os primeiros cinco meses.

"Foi investigado pela Polícia Judiciária na altura e foi descartado quando o caso acabou", disse Gonçalo Amaral, especificando que o suspeito alemão era um agressor sexual, a cumprir pena na Alemanha, e que vivia no Algarve na altura do desaparecimento de Maddie, na praia da da Luz, a 3 de maio de 2007.

Gonçalo Amaral, autor do livro "A verdade da mentira", no qual aponta a tese de que Maddie morreu no apartamento e que o rapto foi uma forma de fazer desaparecer o corpo e desviar as atenções, disse, na mesma entrevista àquele canal australiano, em abril e 2019, que este suspeito é apenas "um bode expiatório".

O cidadão alemão Christian B., de 43 anos, está detido na Alemanha, por abuso sexual de menores, entre outros crimes e, segundo a polícia britânica e alemã, é suspeito de envolvimento no desaparecimento de Madeleine McCann, no Algarve, em 2007.

O homem terá vivido no Algarve entre 1995 e 2007 e registos telefónicos colocam-no na área da Praia da Luz no dia em a criança inglesa desapareceu. Segundo apurou o JN, estava perto do "Ocean Club", de onde desapareceu Maddie, quando fez um telefonema, à hora de jantar, para um número de telefone que esteve registado em nome de Diogo Silva.

O ex-inspetor da PJ alega que a operação Grange, montada pela polícia britânica para descobrir o destino de Maddie "tinha apenas uma linha de investigação", ignorando outras teorias, como a possibilidade de a menina ter morrido em casa. Uma tese que, em Portugal, levou à constituição dos McCann como arguidos, em setembro de 2007, quatro meses após o desaparecimento.

O processo foi arquivado pela Procuradoria-Geral da República em 2008, ilibando os três arguidos, os pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann, e um outro britânico, Robert Murat. O caso foi reaberto pela PJ, em 2013.

Madeleine McCann desapareceu a 3 de maio de 2007, do quarto onde dormia juntamente com os dois irmãos gémeos, mais novos, num apartamento de um aldeamento turístico, na Praia da Luz, no Algarve.

A polícia britânica começou por formar uma equipa em 2011 para rever toda a informação disponível, abrindo um inquérito formal no ano seguinte, tendo até agora despendido perto de 12 milhões de libras (14 milhões de euros).