Beja

Greve dos guardas prisionais adia julgamento de rede de tráfico de pessoas.

Greve dos guardas prisionais adia julgamento de rede de tráfico de pessoas.

A greve dos guardas prisionais levou ao adiamento do julgamento de uma rede criminosa de origem asiática, que se dedicava ao tráfico de pessoas, que envolve cinco pessoas, duas das quais em prisão preventiva.

Entre outras situações, o protesto faz com que não haja transporte de presos preventivos para os tribunais. O julgamento teria início na manhã desta segunda-feira no Tribunal de Beja, tendo ficado adiado para a próxima segunda-feira, 17 de outubro, às 09,.30 horas.

Pela exploração com o recurso a trabalho escravo nos campos agrícolas do concelho de Serpa, quatro cidadãos indianos, entre os quais uma mulher, e um paquistanês, com idades compreendidas entre os 28 e os 55 anos, começariam hoje a ser julgados.

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Considerado como de especial complexidade, o processo integra seis volumes de tramitação, dez apensos e um recurso em separado, dois arguidos em prisão preventiva e duas dezenas de testemunhas, e contou com fortes medidas de segurança por parte da PSP.

A investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e titulada pelo Departamento Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora permitiu desmontar uma organização criminosa liderada por Gurjit Singh, de 34 anos, e Amandeep Singh, de 28 anos, ambos presos no Estabelecimento Prisional de Beja, e da qual faziam parte Sukhdev Singh, de 55 anos, e Sukhpal Kaur Brar, uma mulher de 29 anos, gerente da empresa Surpresa Erudita Unipessoal, Lda, pela qual passavam os trabalhadores alegadamente explorados. A organização, desmantelada no dia 30 de junho de 2021, operava a partir da localidade de Serra da Luz, na Pontinha, concelho de Lisboa, e tinha, segundo a acusação, como operacional em Serpa Muhammad Ashraf, de 48 anos, o único natural do Paquistão, já que todos os outros são indianos.

Gurjit Singh ficou logo em prisão preventiva, enquanto que, durante a investigação, o Procurador do DCIAP ordenou a prisão preventiva de Amandeep Singh, que entretanto se tinha ausentado de Portugal, pelo que não foi possível dar cumprimento ao mandado de detenção. No entanto, o SEF viria a apurar que o arguido está detido preventivamente no Centro de Detenção de Munich-Stadelheim, na Alemanha, às ordens de um processo relacionado com o transporte de cidadãos de origem hindustânica ilegais na Europa. Foram emitidos Mandados de Detenção Europeus, remetidos às Autoridades Judiciais na Alemanha, tendo o indivíduo sido extraditado para Portugal, estando há cerca de quatro meses na cadeia de Beja.

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